
BelÃssimo mapa (simplificado) da realidade linguÃstica deste lado dos Urales. Os pontilhados representam zonas de substituição linguÃstica, em que a lÃngua oficial está a sobrepôr-se à lÃngua histórica do território.
A azul estão as lÃnguas romances, nos vermelhos-laranjas as eslavas, a verde as germânicas e a castanho as fino-húngricas. O galego, como é óbvio, tem a mesma cor do português, mas encontra-se em perda no território do Estado Espanhol.
Esta cena em Guimarães chocou uma amiga

e com toda a razão. Não há aqui qualquer teoria da conspiração, mas este é o tipo de situações que nos deveriam deixar, pelo menos, incomodados. Até um estrangeiro tem o direito de se indignar com esta imagem. Até um espanhol. E mesmo alguém que não sinta especial afinidade pela lÃngua.
Eu explico. Aqui, em Portugal, não se fala castelhano. Não se fala, não se lê castelhano. Temos lÃngua nossa, muito obrigado.
E não sei se o anúncio veio em castelhano por acharem que as lÃnguas são muito próximas (e até são, mas a questão não é essa) ou por lapso ou por raio que os foda. Irritaria-me igualmente ver anúncios em português em sÃtios onde a lÃngua fosse o castelhano ou o basco. Por respeito. Ou melhor, pela falta dele.
(A defesa da lÃngua não é nacionalismo ou patriotismo ou o que for. Afinal, não são só os portugueses a falar português nem a lÃngua é coisa nossa. A lÃngua é de quem a fala. Carod-Rovira diz-se catalão porque se sente catalão; fala a lÃngua, sente a nacionalidade, etc, assim como Richard Zimler se sente um escritor português, apesar de ser estado-unidense e de escrever em inglês)