Posts tagged: Porto

Classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional

By Nuno Gomes Lopes, 28 de Julho de 2010 19:02

Vimos convidar os senhores e senhoras jornalistas para participar numa Conferência de Imprensa, na próxima sexta-feira, dia 30/07, pelas 11.15h, no Café Majestic, no Porto, na qual será apresentada a resposta favorável dada ao Requerimento e o teor do Despacho relativo ao pedido de abertura do processo de classificação da Linha Ferroviária do Tua como Património de Interesse Nacional.
Este requerimento foi entregue no IGESPAR, no passado dia 26 de Março, por um conjunto de cidadãos que tem vindo a lutar pela classificação da Linha do Tua, assim como personalidades do meio cultural, artístico, académico, científico, ambientalista, político e sindical e é sustentado na Lei de Bases do Património Cultural (Lei nº107/2001 de 8 de Setembro).

Os subscritores deste documento consideram que a Linha do Tua merece a classificação como Património de Interesse Nacional, não só pelo papel histórico que desempenhou e pela obra-prima de engenharia portuguesa que constitui, mas também, e ainda, como exemplar único do património ferroviário e industrial do nosso país. Os requerentes consideram ainda que este património tem elevado potencial para o desenvolvimento turístico para a região e que tem que ser preservado e valorizado.

(via)

Cinco de julho de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 5 de Julho de 2010 16:34

Afinal Braga é a terceira ou quarta cidade do País, e merece o mesmo que outras cidades da mesma dimensão, como Coimbra por exemplo, que é uma cidade muito mais bem servida de ferrovia. Braga é uma cidade onde acaba a linha que vem do Porto, sem continuidade nem alternativa. É a dependencia [sic] total do Porto, como se o Norte fosse só o Porto.

O mesmo se pode dizer de Guimarães.

Daqui.

Trinta de maio de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Maio de 2010 16:54

Eu sabia a posição do João Bénard e, sabendo-a, muito me surpreendeu o anúncio do anterior ministro Pinto Ribeiro sobre a criação de um pólo da Cinemateca no Porto. De facto, era tudo o que o João Bénard da Costa menos desejava.

Maria João Seixas, no Público.

Vinte e cinco de maio de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 25 de Maio de 2010 1:06

A Autarquia avançou para a concessão dos reboques uma vez que “não dispõe de meios técnicos para executar directamente as suas competências nesse domínio”. De acordo com as previsões, o futuro contrato deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano, prolongando-se até 2013.

A despesa mensal do município ascenderá a 316 mil euros. Objectivo: rebocar 40608 automóveis e 129 pesados mal estacionados, o que representará uma subida de 52% face aos valores de 2009. Durante o ano passado, também conforme noticiou o JN, foram rebocados 8899 carros e autuados 28744 condutores.

Reboques no Porto. No JN.

Atualizações (mobilidade urbana sustentável) 25/3/10

By Nuno Gomes Lopes, 25 de Março de 2010 17:56

* Mais uma associação – MUBi, Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, e mais uma pedra na construção de cidades mais igualitárias e mais acessíveis para tod@s. À semelhança da FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta e da ACA-M – Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, esta é mais uma associação sediada em Lisboa. O que não lhes tira valor, mas que normalmente significa ações e campanhas regionais e locais centradas em Lisboa, com pretenso caráter nacional por estarem sediadas na capital. Ainda assim, o nascimento desta associação é uma boa notícia.

* Vítor Meirinhos, membro da ACA-M e investigador da Universidade Nova de Lisboa, diz qual a solução para a diminuição dos atropelamentos em meio urbano. Sintético e óbvio:

O cenário é complicado. Mas há medidas a tomar: em primeiro lugar, a temporização dos semáforos devia ser superior, tendo em conta que os idosos e as crianças andam mais devagar e são os mais afectados. Depois, obrigar os veículos a circular a baixa velocidade nas zonas onde há passadeiras.

No Público.

No Jornal de Notícias um especialista norueguês fala sobre os atravessamentos pedonais na rua de Santa Catarina, no Porto:

O especialista comparou a realidade portuense à da artéria pedonal Skippergata, em Oslo, na Noruega, e defende a adopção do exemplo norueguês (ler caixa). Nos dois locais, os peões são a maioria dos utentes do cruzamento (78% no Porto e 82% em Oslo). Em Santa Catarina, a espera ultrapassa os três minutos. Em Skippergata, quem anda a pé tem de aguardar 25 segundos. Constatou-se que 77% dos peões noruegueses só atravessaram o cruzamento com sinal verde. No Porto, sucede o inverso: 70% cruzam a rua com vermelho. Curioso é que, em Portugal, esse comportamento é proibido, ao contrário do que acontece na Noruega. Certo de que o favorecimento do automóvel é “inaceitável” numa via pedonal, Geert van Waeg crê que a atitude dos peões mudará se os tempos de espera diminuírem.

Tudo isto na semana em que o Público fez manchete com o desrespeito dos tempos de atravessamento dos peões nos semáforos. Espero que não sejam notícias isoladas mas sim algo de revolucionário a acontecer no cérebro dos portugueses.

* Mais uma petição, neste caso para a “Alteração do Código da Estrada reforçando direitos de ciclistas e peões”. Não é que esteja mal esta petição, não é esse o caso. Mas acaba por não concretizar o quer que seja, ao contrário deste projeto-lei do Bloco de Esquerda, apresentado (?) no Parlamento a 4 de Julho de 2008. Não sei o que aconteceu a esta proposta, bem fundamentada e essencial para o estímulo do uso pedonal e ciclável das cidades.

* A blogosfera portuguesa vai crescendo em qualidade e profissionalismo – A Nossa Terrinha e Menos Um Carro são apenas dois exemplos de blogues que pugnam por cidades mais ecológicas e por um ordenamento mais capaz. Bem hajam.

*E, já agora, um tema que já todos trataram – e só não é Título do Ano porque não calhou:

Fernando Ruas quer aumentar limite de velocidade em avenida onde já foi multado

No Público.

Paradoxo a Alta Velocidade 2*

By Nuno Gomes Lopes, 17 de Março de 2010 12:07

Na sequência desta aproximação ao polémico ‘Projecto de uma Rede de Alta Velocidade em Portugal’ e depois de idiotices publicadas pelas pessoas que a irão construir, construí uma infografia a explicar uma das falácias transmitidas pela Rave:

Já havendo uma Linha do Norte, é necessária uma nova linha de Alta Velocidade Lisboa-Porto?

a) Não. A existente é suficiente, uma vez que está a ser melhorada.
b) Não. A linha que temos só tem 200 anos, ainda está ali para as curvas.
c) Sim. A Linha do Norte está esgotada e já não é possível melhorar o tempo de viagem.

Ajuda: Hoje circulam mais de 600 comboios por dia na Linha do Norte. Já não é possível aumentar o número de comboios nem realizar viagens mais rápidas, devido à convivência de comboios com velocidades distintas (como os comboios de mercadorias, suburbanos, regionais, Intercidades e Alfa), que circulam todos na mesma via. Foi a mesma coisa com os automóveis: com a Estrada Nacional 1 houve uma altura em que a auto-estrada Lisboa-Porto se tornou inevitável.

A minha resposta é a seguinte:
desta2

aqui grande

As mentiras e meias-verdades servem apenas a leigos sem sentido crítico. Cabe-nos a nós, sociedade civil esclarecida, debater, e posteriormente apoiar ou rebater as opções do Governo.

O projeto de uma rede de altas prestações em Portugal nasceu coxo, como muitos outros em Portugal. Qualquer resolução de um problema tem de passar por uma fase de diagnóstico que permita, de facto, objetivar esse problema e perscrutar as saidas, as fórmulas de resolução desse problema.

A Alta Velocidade não nasceu de parto semelhante, mas de um ‘desígnio nacional’ içado por um ‘projeto europeu’ que o sustentaria. Não partiu de um esgotamento de capacidade das linhas existentes, nem de uma vontade de transferência de utentes do transporte individual e do avião para o transporte ferroviário, nem mesmo de uma vontade de racionalização dos consumos energéticos em termos de transportes. Nada disso. Nasceu da necessidade inadiável de ‘ligar Portugal à Europa’. Dizem-nos amiúde que fazer o contrário (não construir a Alta Velocidade) significaria tornarmo-nos ‘uma ilha na Europa ferroviária’, isto porque a nova rede seria em bitola europeia e os espanhóis fariam a migração de toda a sua rede para essa bitola e nós não e bla bla bla. A verdade é que Governo espanhol ‘quer’ fazer a migração da bitola da rede convencional para a rede europeia, mas ainda não a começou (nem começará nos próximos anos, parece-me); as linhas de ‘Altas Prestações’ espanholas ainda não chegaram sequer à fronteira com a França. Isto significa que nós (juntamente com a Espanha) sempre fomos uma ‘ilha na Europa ferroviária’ (bitola ibérica ≠ bitola europeia), e isto não irá mudar tão cedo assim.

É que com a Alta Velocidade conseguiremos pertencer a essa rede (rede europeia de Altas Prestações), mas continuaremos isolados no que toca ao resto da ferrovia. E vendo a pouca vontade dos governantes em construir linhas mistas de AV (passageiros+mercadorias), e percebendo que pouca gente irá de comboio de Alta Velocidade para Praga, mas muita da mercadoria sim, percebemos que o sentido certo não é construir uma rede de Alta Velocidade, mas sim migrar toda a nossa rede para a bitola europeia. Assim as mercadorias vão e vêm, sem transbordos nem outros incómodos.

Nos países europeus que já têm eixos servidos pela AV o transporte ferroviário é extremamente popular, as redes ferroviárias convencionais são razoavelmente desenvolvidas e existia uma real sobrecarga das linhas que serviam esses eixos entre cidades mais importantes. O que não acontece por cá. E para além de ter nascido coxa, a AV foi crescendo coxa e torta, pobre coitada. A futura estação de “Évora” será a 7 quilómetros da cidade, a de “Aveiro” a mais de 12 quilómetros. Em nenhum país que construa redes de igual gabarito acontece algo de semelhante, mas a estória da estação de “Aveiro” é ainda mais esdrúxula. Localiza-se a 12 quilómetros do centro de Aveiro, num local (Sobreiro??) onde existem apenas auto-estradas (pelo menos 3) e nenhuma cidade ou vila ou aldeia. E onde nem sequer existe ferrovia. Gastam-se mares de dinheiro para pôr o comboio a circular a 300 km/h, mas chegando às cidades o projeto já é de baixo-custo. É um delírio, felizmente adiado para as calendas.

Como já mostrei antes, 84% da população portuguesa mora num delgado território ao longo da costa. Não é uma fatalidade, é algo que pode ser melhorado no futuro, mas é a realidade com que temos de trabalhar neste momento. Se somarmos a estes 84% da população portuguesa uma parte boa da população galega que habita este eixo temos a 33ª maior megarregião do mundo, que vai de Setúbal a Ferrol. O que não é de menosprezar.

A Rave, os nossos compinchas de Lisboa que pretendem fazer de nós um país moderno, desejam reforçar este eixo com uma linha de Alta Velocidade / Velocidade Elevada, em colaboração com os amigos galegos. A justificação para a construir entre o Porto e Lisboa está estampada acima e, como é óbvio, carece de racionalidade. É verdade que a Linha do Norte tem troços saturadíssimos; também é verdade que tem troços por modernizar (a paragem da modernização foi exatamente justificada pelo projeto da rede de AV), algo que eles não referem, o que faria com que a diferença entre as ligações atuais e a ligação futura fosse menos exagerada; não é verdade que, por a Linha do Norte estar saturada, seja necessária uma linha nova.

As Linhas do Oeste e do Vouga atravessam longitudinalmente zonas densíssimas da megarregião, como é o caso de Leiria/Marinha Grande/Caldas da Rainha no caso da primeira e o eixo Feira/S.J. da Madeira/O. de Azeméis/Albergaria/Águeda no caso da Linha do Vouga. Entre elas existe o Ramal da Figueira da Foz, fechado há mais de um ano para obras. Com linha nova (45,5 km) conseguir-se-ia ligar a Linha do Vouga ao Porto (Boavista), integrando-se esta linha métrica na rede convencional, e ao Ramal da Figueira da Foz através de Anadia/Mealhada.

Qualquer uma destas linhas tem utilizações atuais residuais, apesar de atravessarem territórios com grande densidade populacional. O paradoxo explica-se sem grandes confusões. A Linha do Vouga é em bitola métrica (exige sempre transbordo nas estações terminais), tem um traçado surrealista (na melhor aceção Daliana da coisa), excesso de passagens de nível (a maior densidade do país), composições lentas e desadequadas e, por último, horários ineficazes. Pior sina seria impossível. Poucas pessoas a utilizam tendo como destino o Porto, e talvez apenas o troço Águeda-Aveiro se salve no cômputo geral, por providenciar viagens diretas entre o centro de duas cidades. A Linha do Oeste terá, provavelmente, os piores horários do país, um delírio medieval (se tivesse havido comboios na Idade Média, seriam certamente semelhantes) que tem despertado a ira dos locais. E a política de transbordos não lembra a ninguém.

O que proponho? Para evitar os gastos faraónicos e as prazos atropelados da remodelação da Linha do Norte, cessar-se-ia a operação das Linhas do Oeste e do Vouga e o Ramal da Figueira da Foz (este já fechado) durante dois anos. Durante esse período fazer-se-ia o levantamento dos carris, a reconstrução da infraestrutura de via e a sua duplicação, a eletrificação, e a modernização das estações. Todas as novas travessas a colocar seriam polivalentes, permitindo no início a colocação de dois carris (bitola ibérica, 1668 mm) e no futuro um terceiro (bitola europeia ou mundial, 1435 mm). Teria também de ser feito um reajustamento do traçado da via, de modo a permitir velocidades mais elevadas. Entre a Feira e o Porto construir-se-ia uma via nova, também eletrificada e dupla, assim como entre Águeda e a Mealhada. Aqui o comboio utilizaria a linha do Norte por alguns quilómetros (+- 4, podendo haver uma triplicação ou quadruplicação da via), seguindo para o Ramal da Figueira da Foz através de uma concordância. Os passageiros seriam transportados em autocarros durante a obra.

A mais que óbvia perda de utentes durante este período seria compensada por uma solução simples: a partir do momento em que existissem duas linhas paralelas entre o Porto e Lisboa, metade dos Alfas e Intercidades utilizaria uma e a outra metade a outra. E mesmo que essas populações do Vouga e do Oeste perdessem de vez a vontade de utilizar o comboio, haveria um fluxo de comboios transportando gente do Porto a Lisboa que traria de novo gente à deslocação ferroviária. Integrando a Linha do Vouga nos urbanos do Porto traria vida nova a esta via, assim como comboios interregionais a percorrerem eixos da via (Porto-Figueira, Figueira-Lisboa).

É que convém não esquecer este dado: a nova linha que proponho serviria mais população que a Linha do Norte. Ninguém menospreza o potencial da Linha do Norte em termos de população servida; o que dizer de uma linha que liga as duas metrópoles e serve ainda mais população?

Linha do Norte: +- 2.150.000
Nova ligação: +- 2.400.000

*a infografia seria impossível sem a dedicada colaboração da Mafalda, a quem agradeço do fundo do coração.

Anteriormente por aqui:

Paradoxo a Alta Velocidade
PIDDAC 2010
O Porto não é pequeno nem é segundo

Vinte de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 20 de Dezembro de 2009 23:40

Onde há tráfego, esconde-se o metro. Onde temos natureza e espaço para andar, põe-se o metro à superfície. Não se percebe.

Vítor Silva, no JN.

Atualizações 18/12/09

By Nuno Gomes Lopes, 19 de Dezembro de 2009 6:03

* A Transportes em Revista sugere uma lista de projetos de Alta Velocidade no mundo, incluindo os planeados, os que estão a ser construídos e os que já se encontram em operação. Uma busca inicial provou-me o que já tinha lido algures: tirando projetos na China, o troço português da Linha Lisboa-Madrid é o único com velocidades previstas de 350 qm/h. Todos os outros projetos no mundo têm velocidades previstas de 300 qm/h ou menos. O que é um paradoxo, pois é um eixo com baixíssima densidade populacional, com uma quase inexistente ferrovia convencional em funcionamento e uma procura reduzida. É mais um ato tresloucado que um projeto a sério. A sério.

Pelo meio das notícias os avanços nessa linha, li que a futura estação de Évora será a sete quilómetros do centro de Évora, com uma ligação em ferrovia convencional ao centro. Sete? Já agora vinte. Ou quarenta. Gente ceguinha.

Em Braga contestam-se ‘algumas’ demolições no achegamento da AV à cidade. O urbanismo caótico, totalmente desregulado, que foi praticado e continua a ser praticado pelas nossas autarquias, tem sempre algum bizarro defensor. E já nem falo da ideia da estação fora do centro, o mais parvo de tudo isto.

* Os Verdes ‘entregaram no Parlamento uma iniciativa legislativa que visa suspender de imediato o Programa Nacional de Barragens Hidroeléctricas‘. Fizeram muito bem. Já chega de política feita em cima do joelho, que manda as populações locais às urtigas e se rege pelos princípios errados. A redução da produção de CO2 até pode ser uma ideia amiga do ambiente, mas não é construindo barragens que se ajuda o ambiente.

* Depois de promessas de Cinemateca e murmúrios de vida do Cineclube do Porto, o cinema volta mesmo ao concelho do Porto. O Nun’Álvares, do qual acompanhei os últimos meses de vida em 2005, reabriu ontem, dia 17. Com tecnologia 3d e vontade de conquistar públicos novos para o cinema. Uma atitude de louvar.

* Bons ventos sopram da Catalunha. Primeiro o referendo independentista, repetição em 166 municípios da votação iniciada em Arenys de Munt em Setembro. Depois a proibição das touradas em todo o Principado, ato de inquestionável humanidade para qualquer pessoa esclarecida e imparcial.

* Notícia incrível, juntando no mesmo texto multimodalidade, Braga, Cabeceiras de Basto, Barcelos, Vila Verde e Porto.

* A Linha de Leixões já reabriu e já há notícias sobre o como correm as coisas. Gente é que ainda há pouca. Talvez quando ela realmente servir para alguma coisa que não ligar São Mamede de Infesta a Ermesinde.

Título do Ano 41

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Novembro de 2009 22:33

Guilherme Pinto concorda com identidade que junte Porto, Gaia e Matosinhos

No  Público.

Atualizações 1/10/09

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Outubro de 2009 1:16

* Gosto destas pequenas notícias, desta vontade indizível de muita gente que começa a desabrochar por aí. Em Arenys de Munt, na Catalunha, 96% dos votantes num referendo local declararam-se a favor da independência do Principado. Sem efeito legal, sem grande expressão (69% de abstenção), mas com uma ideia clara: “que a Catalunha seja um Estado soberano, social e democrático integrado na União Europeia”. Não tenho dúvidas que uma Catalunha independente, do Carxe a Perpinyà, seria infinitamente mais democrática que o atual Estado espanhol.

Claro que chegaram os fascistas e tentaram armar confusão. O que se há de fazer.

O Expresso, transcrevendo certamente uma notícia da Lusa, chama a Arenys ‘uma aldeia’. Curiosa esta aldeia de 8000 habitantes, que por acaso é um município metropolitano. Curiosa.

* Quando me vejo preso nas filas de entrada no Porto, em frente ao Norteshopping, penso sempre, á, se eles pusessem mais faixas, se eu fosse um passarinho, se a minha avó tivesse rodas era um camião tir, etc. Agora é óbvio que a absurdidade destes pensamentos não me acompanha durante muito tempo. Se a minha avó tivesse rodas não seria um camião tir – quando muito seria uma bicicleta. Não sou um passarinho, por muito que me custe aceitar isso. E não é por existirem mais faixas que se reduz o trânsito. Quando se aumenta o número de faixas aumenta-se o trânsito de veículos a circular. O que é muito simples de compreender: aumentando o número de faixas, o número de auto-estradas, o números de lugares em parques de estacionamento, aumenta-se a expectativa. A partir de agora, quando alguém pensar em ir para o Porto de carro usando a A28 não hesita tanto. E vai mesmo de carro. Daqui a uns meses entope outra vez. E mesmo que não entupa, o mal está feito – o número de carros a entrar no Porto diariamente vai aumentar.

Claro que os senhores políticos, que de raciocínios não são grandes fãs, pensam ao contrário. E a senhora jornalista, que transcreve o que os políticos lhe dizem, não pensa.

Nova saída da A28 vai reduzir trânsito em 20%

Via permitirá chegar ao Norteshopping sem ir à Rotunda dos Produtos Estrela

Os futuros acessos do IC1/A28 ao concelho de Matosinhos, a construir no âmbito do alargamento da via, vão reduzir o trânsito para a Rotunda AEP em cerca de 20%. A obra começa no início do próximo ano.

(…)

No JN.

Atualizações 29/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 29 de Setembro de 2009 23:15

* A RAVE insiste em introduzir em Portugal um comboio caríssimo que irá circular em linhas caríssimas. Mas com estações fora dos centros urbanos. Em Braga a nova estação será na Aveleda ou algures entre Gondizalves, Semelhe e Real. A estação de Maximinos, corretamente inserida no miolo de Braga, já não conta. No Porto a estação será em Campanhã, e qualquer hipótese de a localizar na Boavista foi descartada. Em Aveiro, a estação será fora do concelho, em Albergaria-a-Velha. Junto a um nó da auto-estrada. E em Coimbra, a estação de AV será ainda mais longe do centro que Coimbra B.

O paradoxo assusta qualquer um: nem a RAVE tem intenções de tornar o projeto rentável, ao afastar (todas) as estações dos centros, nem sequer parece estar preocupada em localizar as estações sobre a ferrovia convencional. O tal triângulo de Braga (Gondizalves – Semelhe – Real) é apenas ‘perto’ da linha existente e em Aveiro a localização escolhida é longe de qualquer coisa parecida com ferrovia. Se a rede de Altas Prestações realmente avançar, o que resta aos municípios e às regiões é lutar pelas estações centrais. Nem interessa dizer que lá fora é no centro das cidades que se localizam as estações da Alta Velocidade, com mais ou menos túneis. Não vale a pena usar exemplos exteriores para uma coisa assim óbvia.

* Numa notícia sobre a abertura do Palácio das Artes no Porto encontrei isto:

(…)

Para a envolvente, já está aprovada uma candidatura ao QREN que inclui a construção de um parque de estacionamento no Largo de S. Domingos, o reperfilamento à superfície das ruas de Mouzinho da Silveira e das Flores e a introdução do eléctrico nesta zona. Rui Quelhas, administrador da Porto Vivo, afirmou que as obras começarão em 2010.

(negrito meu)

O elétrico de volta. Já falei sobre o assunto aqui. O que existe neste momento é assim,

portoeletrico1x

e nos próximos tempos poderá surgir assado.
portoeletrico3x

O que seria muito, muito interessante para a mobilidade no Porto.

* Parabéns pelos 40 anos. CCDR-N, o nosso futuro governo regional.

Atualizações 21/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 22 de Setembro de 2009 0:49

* O metro segue em obra:

Metro do Porto: Obras avançam na Linha de Gondomar

A linha, entre o Estádio do Dragão e Venda Nova, foi consignada em Dezembro de 2008, arrancou no terreno em finais de Janeiro e tem a sua conclusão prevista para o quarto trimestre de 2010.

A Linha de Gondomar do Metro do Porto já se encontra em obra em toda a sua extensão, incluindo o túnel de 900 metros entre Rio Tinto e a zona do Bairro S. João de Deus, no Porto, disse hoje à Lusa fonte da empresa. “As obras avançam em bom ritmo”, acrescentou a fonte.

(…)

No JN.

* Carlos lage, mais uma vez, muito bem:

Norte pede comboio até Salamanca

O Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) pediu ontem ao Governo Regional de Castela e Leão a reabilitação da linha ferroviária entre Barca de Alva e Salamanca. No IV Plenário da Comunidade de Trabalho destas regiões, em Valhodolid, Carlos Lage deu conta de que do lado português a reabilitação do troço Pocinho-Barca de Alva “está em curso”, depois de assinado o protocolo que vincula o Estado e o sector ferroviário portugueses nesse compromisso.

(…)

No Público.

* Seis anos seguidos de crescimento. Imagino difícil encontrar investimento de igual retorno social no país:

Há seis anos que os transportes públicos ganham clientes no Porto

Primeira fase do metro e mudanças significativas nos serviços da CP e da STCP estão a consolidar uma alteração de hábitos nas deslocações diárias

Os três grandes operadores de transporte público do Grande Porto entram hoje na semana da mobilidade com várias iniciativas para tentar captar mais utilizadores (ver texto ao lado) e com bons motivos para sorrir. E isto porque, mesmo sem o estímulo das viagens gratuitas que vão oferecer por estes dias, é cada vez maior o número de utilizadores do transporte colectivo nesta região que, fruto dos investimentos da CP, da Metro do Porto e da STCP, vive o seu sexto ano consecutivo em ritmo de aumento de procura, se no final de 2009 se confirmar a tendência positiva do primeiro semestre.

A inversão de tendência verificada inicialmente por via da renovação e aumento de serviço da CP Porto – hoje com 300 comboios diários a ligar as principais cidades da região ao Porto – e do início da operação do Metro, consolidou-se entretanto com a conclusão da rede de metropolitano. E, nos últimos três anos, conta com o contributo das três empresas de capitais públicos, que mantiveram bons resultados no primeiro semestre deste ano.

A Metro do Porto teve um crescimento hómologo de 4,3 por cento do número de validações do Andante, o que representa um aumento de um milhão de passageiros, para quase 27 milhões, em relação aos primeiros seis meses de 2008. As boas notícias da CP Porto cifram-se num crescimento de 5,6 por cento, para 10,4 milhões de passageiros, enquanto da sede da STCP, a estabilização da procura nos 56 milhões de passageiros – número semelhante ao da primeira metade de 2008 – também deixou sorridente a administração da empresa, que viu falhadas as conservadoras previsões de 2006. Estas apontavam para quebras fortíssimas da procura decorrentes da “canibalização” por parte do metro e já no ano passado vira crescer em dois milhões o número de passageiros.

(…)

No Público.

Atualizações 14/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 15 de Setembro de 2009 0:01

* Leio por aí que “Casos de tuberculose caíram um terço no distrito do Porto entre 2004 e 2008″. Notícia incrível, incrível.

* Hora de desfazer um equívoco (meu): a ligação Porto-Braga (da primeira fase da ligação Lisboa-Corunha, utilizando a via atual) não vai implicar a mudança da bitola (de ibérica para ibérica+mundial). Afinal serão os comboios, multi-bitola (obrigado ao amigo Texas pelo quase-neologismo), a fazerem a transição da futura linha Lisboa-Porto (mundial) para a atual Porto-Braga (ibérica) e para a futura Braga-Corunha (mundial). O comboio desacelera antes da Ponte de São João e depois da Estação de Braga, os eixos alteram-se, no fim sente-se uma pancada e o comboio segue. Os comboios, obviamente, têm de ser comprados pensando nesta especificidade. Tanto os que fizerem Lisboa-Porto como os que seguirem para Norte.

Atualizações 4/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 5 de Setembro de 2009 1:42

* Brutal esta troca de correio-e entre Pedro Marinho e a CMP. Sucinto, moderno e realista – todo o que são boas práticas na implantação de vias cicláveis em meio urbano está aqui. Houvesse mais gente a pensar igual e haveria real progresso social.

*É anunciada pela enésima vez a reabertura da ligação ferroviária entre o Pocinho e Barca d’Alva. Ainda sem garantias de reabertura até Salamanca, e apenas para turismo, para já. A boa notícia é de que a intervenção prevista implica “travessas de betão, carris soldados e, sobretudo, o reforço e consolidação dos taludes, túneis e pontes”. Que usem travessas de betão polivalentes, já que a REFER vai comprar 300 mil travessas de dupla fixação.

É um investimento de luxo, bastante superior ao estritamente necessário para voltar a pôr os comboios sobre os carris entre Pocinho e Barca de Alva. Com os 25 milhões de euros anteontem anunciados pela secretária de Estado dos Transportes, mais do que reabrir a linha, trata-se de construir uma nova no traçado da anterior, com travessas de betão, carris soldados e, sobretudo, o reforço e consolidação dos taludes, túneis e pontes. Tudo isto permitirá velocidades da ordem dos 80 km/hora, o que é bastante mais do que os 30 km/hora a que os comboios circulavam quando a linha foi encerrada. Mais: o troço reaberto ficará até em melhores condições do que a actual linha do Douro entre a Régua e o Pocinho.

Faz sentido então a pergunta: para quê gastar tanto dinheiro, quando se prevê apenas uma exploração turística, certamente não diária, e para composições lentas onde o objectivo é a fruição da viagem? Porque existe a “ambição” de que a linha do Douro volte a ter passageiros e também mercadorias até à fronteira espanhola, e para além dela se Espanha decidire entretanto reabrir a sua parte entre La Fregeneda e La Fuente de San Esteban (Salamanca). E, se assim for, este eixo ferroviário poderá ser uma “ligação à Europa”, como referiu ontem ao PÚBLICO a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.

(…)

Se não houver interessadas, restará à CP encontrar parceiros e efectuar o serviço turístico sozinha. Para já a empresa não está empenhada na exploração comercial daquele troço devido à desertificação da região e ao facto de as estações se situarem longe das localidades que servem (Foz Côa, Castelo Melhor e Almendra). Mas, tendo em conta o previsível bom estado em que ficará a infra-estrutura após o investimento de 25 milhões de euros, os custos de prolongar os comboios regulares do Pocinho a Barca de Alva seriam quase marginais.

O PÚBLICO fez as contas para saber quanto custaria à CP uma viagem de ida e volta no troço a reabrir com uma automotora diesel. Com base no directório de rede da Refer, a CP teria de pagar 101,36 euros de taxa de uso (portagem ferroviária), mais 45 euros de combustível, 20 euros para um operador de circulação e 18 cêntimos pela utilização da estação de Barca de Alva, o que perfaz 166,54 euros por cada comboio. Se cada bilhete de ida e volta custasse 4 euros, a transportadora pública necessitaria de ter um mínimo de 42 passageiros por comboio, que é um valor muito acima da média dos que circulam entre Régua e Pocinho.

Há que ter em conta, porém, que com uma linha nova os tempos de percurso seriam inferiores e, com boas ligações à Régua e ao Porto, a linha do Douro ganharia competitividade face à actual alternativa rodoviária. É que, em 1987, quando a linha foi encerrada, de Barca de Alva ao Porto demorava-se 5 horas e 39 minutos, mas com a reposição do troço em falta e as obras de modernização previstas entre Caíde e Marco, a mesma viagem poderá ser feita em 3 horas e 20 minutos.

No Público.

* Mais a montante no rio, anunciam-se 70 milhões de euros em investimento. A duplicação entre Caíde e o Marco fica adiada, mas para já moderniza-se e eletrifica-se:

(…)

O investimento é avultado, mas esgota-se nos 14,8 quilómetros de linha do Douro entre Caíde e o Marco. São cerca de 4,7 milhões de euros por quilómetro. Um investimento para garantir melhores tempos de percurso e maior segurança para os passageiros e para quem atravessa a via férrea.

“Esta intervenção inclui pequenas rectificações do traçado, a renovação integral da via, a sua electrificação, a remodelação das estações de Vila Meã, Livração e Marco de Canaveses e dos apeadeiros de Oliveira e Recezinhos, a construção de interfaces rodoferroviários, a beneficiação dos túneis de Caíde (1085 metros), Gaviara (258 metros) e Campainha (228 metros) e a supressão das passagens de nível ainda existentes”, sintetiza a Refer.

(…)

A Refer anuncia, ainda, que a modernização daquele troço também passa pela sinalização electrónica, o que “contribuirá para a optimização da oferta do transporte ferroviário, aumentando a sua capacidade, fiabilidade e segurança”.

No JN.

* Ainda mais a montante, eis que chega a Linha de Leixões:

Os comboios de passageiros começam a circular na linha de Leixões na próxima semana, anunciou, ontem, quinta-feira, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, durante a sessão de apresentção dos novos veículos da Metro do Porto.

As composições vão fazer a ligação entre as estações de Ermesinde (Valongo) e de Leça do Balio (Matosinhos), com paragem em S. Gemil (Maia) e S. Mamede de Infesta (Matosinhos). No início de Julho passado, a Refer adjudicou a renovação das plataformas, por 476 mil euros. A viagem entre Ermesinde e Leça do Balio deverá demorar 16 minutos. Em 2010, as comboios deverão chegar a Leixões, sendo que Ana Paula Vitorino reiterou que o objectivo é estender a linha, no outro extremo, até Campanhã (Porto).

(…)

No JN.

*E, virando para norte, começam os tram-train a bombar:

Para as dezenas de pessoas que assistiram ontem, na estação da Trindade, à partida do tram-train na sua viagem de apresentação até Pedras Rubras, este parecia um veículo igual aos outros. Mas as novas composições do metro do Porto são, afinal, mais rápidas, mais potentes e mais confortáveis. Rápidas porque podem chegar aos 100 quilómetros por hora, ao contrário dos veículos actuais, que não passam dos 80, mais potentes porque podem acelerar mais depressa e mais confortáveis porque vão ter capacidade para mais 32 lugares, dos quais 20 sentados.

Na prática, tudo isto se traduz numa redução da viagem de dez minutos entre a Póvoa e a Trindade e num maior número de passageiros mais satisfeitos por viajarem sentados.

Mas, para a Metro do Porto, as vantagens do tram-train são-no sobretudo ao nível da exploração. As novas composições estão particularmente vocacionadas para fazer serviço suburbano, realizando o serviço expresso do Porto à Póvoa e vão permitir libertar os outros veículos para o serviço urbano, reforçando a oferta actual e, sobretudo, dando uma grande capacidade à empresa para responder a picos de procura quando há grandes eventos na cidade.

E quando começam a funcionar? Ricardo Fonseca, presidente da Metro do Porto, não quis comprometer-se com uma data precisa. “Em Outubro”, disse. E explicou que é necessário ultimar os ensaios que têm vindo a ser feitos, não só sobre a adequação do material à via como a própria sinalização que agora deverá estar adaptada a uma maior velocidade.

O PÚBLICO apurou que estes trabalhos se atrasaram e que desde há vários meses que existem tram-trains em número suficiente para o o serviço. Neste momento, dos 30 veículos encomendados, 19 já estão parqueados em Guifões, devendo os restantes ser entregues pelo fabricante Bombardier até ao fim do ano. O investimento foi de 113,5 milhões de euros.

(…)

Com uma frota de 102 veículos (72 eléctricos e 30 tram-trains), a Metro do Porto não precisa de mais material circulante até 2015, ano em que, segundo Ricardo Fonseca, serão adquiridos mais 18 veículos. Mas, para já, está tudo preparado para assegurar os serviços da segunda fase do plano de expansão do metro que a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, não deixou de anunciar e que representa um investimento de 1200 milhões de euros.

E a Trofa, finalmente:

Foi anunciada a construção, aproveitando o traçado da via-férrea da antiga linha da Trindade até à Trofa, de uma nova linha que vai receber os passageiros da CP vindos de Viana, Braga ou Guimarães, que poderão logo ali apanhar o metro para o centro da Invicta sem passar por Campanhã.

No Público.

*Em Lisboa, o metro acabou de medrar mais um poucochinho – apesar de tudo, uma ligação importantíssima:

O novo troço da linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa foi inaugurado este sábado.

O prolongamento da linha tem 2,2 quilómetros de extensão, custou 210 milhões de euros e vai servir 32 milhões de passageiros por ano.

É a primeira vez que a linha Vermelha se interliga às três restantes linhas – Verde, Amarela e Azul – através de uma conexão transversal a meio da sua extensão. A grande vantagem para os utilizadores do metro passa pela redução substancial na duração das deslocações.

A título de exemplo registe-se que uma viagem entre a Alameda e São Sebastião passou de 17 para apenas cinco minutos. A obra foi iniciada em 2003 com previsão de conclusão em 2006 e foi inicialmente orçada em 132 milhões de euros. Terminou em 2009 e com um custo total de 210 milhões de euros.´

(…)

No JN.

Atualizações 17/8/09

By Nuno Gomes Lopes, 18 de Agosto de 2009 1:13

* Morreu Isabel Alves Costa. E não foi Rui Rio que ganhou, mas todos nós que perdemos.

(aqui em gravação áudio, no inner city; aqui as Comédias do Minho, de cuja comissão artística fazia parte)

* Este blogue e respetivo autor irão entrar em hibernação durante as próximas horas, para apenas verem a luz do dia algures pelo fim do mês. Até lá poderão ser encontrados por aqui.

Atualizações 4/8/09

By Nuno Gomes Lopes, 5 de Agosto de 2009 1:47

* Interessantíssimo o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte (PROT-N). Já tinha procurado antes (sem sucesso) mas o Público antecipou-se (grrrrr). Enfim, é um documento extensíssimo, com muita boa-vontade e (aparentemente) alguma competência. Bastava que este plano fosse executado na totalidade para que pudéssemos esperar um futuro mais esperançoso – como apenas será, certamente, executado parcialmente, é ver o que acontece:

(…)

(pp.14)

“Região Norte – Opções estratégicas territoriais

· Reforçar a rede ferroviária convencional que estrutura os actuais serviços “suburbanos” nas suas ligações quer à cidade do Porto a partir das sub-regiões envolventes com maiores problemas de mobilidade, quer das principais cidades da região ente si, no sentido de diminuir a pressão automóvel sobre os principais centros urbanos, e também como forma de potenciar a utilização do futuro eixo ferroviário norte-sul em altas prestações na fachada atlântica no Noroeste peninsular;

(…)

(pp.14-15)

Região urbano-metropolitana do Noroeste – Opções para o Desenvolvimento do Território

· Reforçar o papel da metrópole Porto no sentido da sua afirmação como principal centro terciário do NO peninsular, desenvolvendo as acessibilidades, as funções aeroportuárias, portuárias e de plataforma logística intermodal e as funções ligadas à ciência e à cultura, explorando o potencial das novas tecnologias e qualificando os serviços urbanos em geral;

· Ordenar o território e estruturar o policentrismo, criando âncoras para o desenvolvimento de um terciário avançado, dando prioridade, para além da afirmação da metrópole Porto, ao reforço e organização do triângulo Braga-Guimarães-Vila Nova de Famalicão e apoiando a emergência de sistemas urbanos sub-regionais em especial nas áreas mais críticas para a estruturação do território;

Até aqui tudo normal. Medidas gerais. Seguindo adiante:

(…)

(pp.50-53)

B. Sistema de Conectividades
B.1. Acessibilidades, mobilidade e logística
B.1.2. As redes ferroviárias

Na Região do Norte estão em curso ou em carteira intervenções que integram o plano de investimentos da REFER, designadamente a Variante da Trofa e nova Estação, a quadruplicação do troço Contumil-Ermesinde, a modernização da Linha do Douro entre Caíde e Marco de Canaveses, a remodelação do troço Ovar-Gaia da Linha do Norte e ainda a beneficiação global das Linhas do Tâmega e Corgo.

Isto são as obras em curso – de seguida aparecem propostas:

Seguindo a lógica das intervenções passadas e em curso, resultam como próximas prioridades a modernização da Linha do Minho entre Nine e Viana do Castelo (integrando esta cidade no serviço dos “urbanos”), assim como da Linha do Vouga, entre Espinho ou Gaia/ Campanhã e Oliveira de Azeméis, intervenção que poderá ter contornos semelhantes à levada a cabo na Linha de Guimarães, apesar de estarem em curso acções de melhoria do actual serviço tendo por base a linha de bitola métrica e apesar de se conhecerem as limitações físicas a essa remodelação. Fica assim completa uma importante infraestrutura de articulação e promoção da rede do serviço ferroviário dos “urbanos”, decisiva para o equilíbrio e aprofundamento da característica policêntrica do Arco Metropolitano do Porto, com reforço evidente das cidades de Braga, Guimarães e Viana do Castelo, e ainda das cidades de Espinho, Famalicão, Barcelos, Santo Tirso, Vizela, Paredes/ Penafiel, Marco, Vila da Feira, S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis.

Os suburbanos a crescerem a norte e a sul. Está muito bem.

Fora do arco metropolitano, deve ser dado um impulso forte á cidade da Régua tendo em conta que a exploração desse serviço ferroviário constitui um contributo decisivo para a mobilidade intra-regional e para a consolidação duma alternativa não rodoviária ao transporte interurbano na faixa litoral. Os piores indicadores de mobilidade verificados no Entre Douro e Vouga (com uma excessiva dependência do automóvel) aconselham até a equacionar com prioridade a remodelação da Linha do Vouga e a sua relação com o núcleo central da área metropolitana, que poderá assumir diferentes hipóteses de solução, designadamente em articulação com um reforço da parte final da Linha do Norte permitindo uma ligação directa a Campanhã e servindo ainda a zona nascente do concelho de Gaia.

Aqui surge pela primeira vez a ideia de viagens diretas entre Campanhã e Oliveira de Azeméis, o que pressupõe a substituição da bitola (de métrica para ibérica ou mundial) na Linha do Vouga, para além da modernização (correções de traçado – eletrificação).

De acordo com a programação existente para a rede de altas prestações ao nível nacional, prevê-se a conclusão de uma nova linha em bitola europeia entre Braga e Valença até 2013. As opções relativas à rede ferroviária na Galiza apontam para a conclusão do corredor Porrinho-Vigo também para essa data, pelo que será possível antever para um calendário próximo a plena operação de ligações directas entre Campanhã e Vigo num tempo próximo dos 60 minutos, com possibilidade de continuação para Norte, uma vez que a Estação de Vigo deixará de funcionar como terminal. Para 2015 está prevista a conclusão da nova linha de alta velocidade em bitola europeia entre Lisboa e Porto, sendo claro que o sobredimensionamento da actual Estação de Campanhã permite a operação das duas bitolas, inclusive com utilização simultânea da Ponte de S. João por mais alguns anos.

Juro que não fui eu que aportuguesei o Porrinho. Aliás, no início do Plano falam de ‘La Coruña’ e ‘Porriño’ e a meio já lhes chamam ‘Corunha’ e ‘Porrinho’.

A localização das estações das novas linhas ferroviárias é uma questão essencial na definição do modelo territorial para o Litoral Norte, na medida em que se determinam novos arranjos nas ligações interurbanas, mesmo noutros modos de transporte. Percebendo-se a opção pelo aproveitamento da Estação de Campanhã e Ponte de S. João (redução do investimento inicial), parece ser certa a previsão de mais três estações principais na fachada a Norte de Coimbra: Aveiro, Braga e Valença, esta última servindo também a cidade de Tui. No que respeita às estações a criar na Região do Norte considera-se de grande relevância a sua localização em espaço muito central, como forma de potenciar o seu valor para a estruturação urbana, e na medida em que se possam estabelecer as interfaces com diferentes modos de transporte, incluindo o “a pé”. A possibilidade de levar a nova bitola à cidade de Braga deve constituir objectivo central da política de reforço quer do sistema urbano como do sistema de transportes públicos, mesmo que essa solução represente acréscimo de custos.

Acho que poderiam fazer estações em Valença-Tui e Ponte de Lima, para ligações semelhantes ao intercidades; nas grandes ligações, entre Lisboa e a Corunha, o comboio deveria parar apenas no Porto (e a seguir no aeroporto, se fosse construída a ligação já), Braga e Vigo. Nunca pararia em Valença. Noutro serviço, poderia fazer Porto, (aeroporto), Famalicão, Braga, Ponte de Lima, Valença-Tui, Porrinho, Vigo.

Sendo certo que o próximo ciclo de investimento público coloca em primeira prioridade as novas linhas de altas prestações – vertebração à escala ibérica –, pode-se considerar que um novo impulso na rede convencional e na perspectiva dos serviços interurbanos de curta distância no âmbito do arco metropolitano, só acontecerá após 2015, apesar da importância do actual plano de investimentos da REFER até 2011. Este intercalar de prioridades poderá acarretar vantagens na potenciação da utilização do modo ferroviário, considerando que a introdução das novas linhas evidenciará ainda mais a futura necessidade de articular a alimentação da bitola europeia a partir da convencional, o que permitirá uma nova concepção para a exploração e, consequentemente, ampliação da rede de bitola ibérica. Por outro lado, não pode ser ignorada a possibilidade futura de utilização de material circulante fácil e rapidamente adaptável às duas bitolas, concebido para ligações transregionais, o que significa o interesse estratégico quanto à conexão mútua das redes em pontos chaves do sistema, potenciando a oferta de novos serviços sem necessidade de transbordo de passageiros. O caso de Braga pode neste aspecto ser paradigmático, se souber juntar na mesma estação as duas bitolas, prolongando a convencional até Guimarães.

Primeiro erro: assumir que no futuro irão subsistir redes em bitolas diferentes. Fala-se agora que Espanha terá um plano para substituir a bitola em toda a rede (de bitola ibérica para bitola mundial); a nossa tendência tem de ser semelhante. Fazer modernização SEMPRE com travessas polivalentes e começar a planear a migração futura de toda a rede para a bitola mundial.

Do ponto de vista da consolidação do modelo territorial na Região do Norte, considera-se essencial colocar algumas opções a tomar no longo prazo, isto é, no ciclo de investimentos pós 2015, que possam desde já influenciar opções de curto e médio prazo a outras escalas (e agentes) de decisão: remodelação da Linha do Minho entre Nine e Viana do Castelo, dotando-a das mesmas características técnicas da restante infraestrutura que suporta a rede dos comboios “urbanos” da CP, para que esse serviço se possa alargar com o mesmo grau de qualidade às cidades de Barcelos e Viana; a já referida remodelação da Linha do Vouga; prolongamento da Linha de Braga até Guimarães permitindo o fecho de um anel ferroviário de articulação entre as cidades de Braga, Guimarães, Vizela, Santo Tirso, Trofa e Famalicão, possibilidade que permite ligar entre si os dois pólos universitários e estes ao AvePark, ao futuro Instituto Ibérico das Nanotecnologias e ainda ao novo Hospital a localizar em Gualtar; possibilidade de integração da cidade de Vila Real no sistema ferroviário principal, proposta cuja sustentabilidade só pode ser confirmada com um estudo de viabilidade técnica de remodelação da Linha do Corgo entre Régua e Vila Real (dada a sinuosidade do traçado, pendentes elevadas, largura de canal insuficiente, etc.), o que não invalida o investimento em curso na beneficiação geral da linha de bitola métrica; possibilidade de se encarar o reforço do papel da Linha da Póvoa para Norte da Senhora da Hora na sua função train (comboio) em detrimento da sua função tram (metro ligeiro), no âmbito do projecto train-tram que está a ser desenvolvido pela Metro do Porto, cenário a equacionar no âmbito de um prolongamento da linha até Viana do Castelo por Esposende.

Concordo com tudo o que aparece neste parágrafo, não estivesse a Câmara de Guimarães a lotear SOBRE a antiga Linha de Fafe. A ligação Guimarães-Braga teria de ser feita utilizando o troço Estação de Guimarães-Mesão Frio da desativada Linha de Fafe. E apesar de a Câmara de Guimarães ‘defender’ publicamente a ligação a Braga, a verdade é que já hipotecou parte dessa ligação ao lotear sobre a linha.

O problema da ligação a Vila Real será sempre a altitude da cidade. A atual linha entre a Régua e Vila Real sobre 19 metros por quilómetro (!!!), e mesmo fazendo a ligação (mais lógica) através de Amarante teria sempre o sistema montanhoso do Alvão-Marão a vencer e uma enorme diferença de cotas. Se não houver dinheiro não se faz uma boa ligação.

(…)

Relativamente a redes ferroviárias ligeiras e ultraligeiras, há a considerar a expansão das redes de metro e eléctrico no Porto e a eventual criação de uma nova rede na cidade de Braga. Considera-se essencial a densificação da rede de metro no interior do núcleo central da área metropolitana, que deverá ser dotada de um esqueleto que garanta a diversidade de oferta de soluções de transportes (viabilização do indivíduo multimodal) a uma população da ordem do meio milhão de habitantes, sem prejuízo do desenvolvimento de um policentrismo saudável baseado noutros núcleos até certo ponto concorrenciais entre si. A evolução da rede dentro de um conceito de densificação de linhas na zona central, deverá ter presente a necessidade da sua estruturação num misto de ligações radiais/diametrais em paralelo com a consolidação de ligações de tipo circulares, que respondam às exigências internas das cidades-centro de duas margens, mas também às novas solicitações de deslocação entre pólos da primeira coroa envolvente à cidade do Porto.

As cidades do Porto e Braga, tal como outras cidades europeias, apresentam uma morfologia urbana pouco favorável do ponto de vista dos espaços-canal disponibilizáveis para o sistema de mobilidade. Ao longo dos últimos trinta anos o crescimento da motorização (circulação e estacionamento automóvel) conduziu ao estrangulamento da rede de eléctricos que tinha sido desenvolvida nessas duas cidades, assim como reduziu ao mínimo essencial espaços necessários ao correcto funcionamento de modos alternativos, designadamente o “a pé” e a bicicleta, entretanto praticamente desaparecida. Uma definição estratégica conducente ao aprofundamento do tema é determinante para o futuro fortalecimento, no quadro europeu e da Euroregião, destas duas realidades territoriais; é no âmbito dessa profunda e múltipla reestruturação que se preconiza o equacionamento da criação de duas redes de eléctricos (modernos) de serviço “porta a porta” centradas no espaço urbano das cidades do Porto e Braga, e que permitam, a prazo, uma profunda alteração do paradigma de utilização e organização do espaço/ mobilidade oferecido.

(…)

Ámen. Simplificando, é isto:

(pp.153-154)

C – Redes Ferroviárias

(…)

a) Renovação e electrificação da Linha do Douro, entre Caíde e Régua, e reabilitação do troço restante até Barca D’Alva;
b) Renovação e electrificação da Linha do Minho entre Nine e Viana;
c) Renovação ou construção parcial da Linha do Vouga, entre Espinho e Oliveira de Azeméis, incluindo uma eventual mudança para bitola ibérica e electrificação, em articulação também com as soluções que venham a ser consideradas para o reforço da Linha do Norte na AMP;
d) Prolongamento da Linha de Guimarães até à futura Estação de Velocidade Alta de Braga, fechando o anel com a linha actual de Braga ao Porto;
e) Ligação ferroviária ao Porto de Viana, em bitola ibérica;
f) Ligação, em bitola europeia, ao Porto de Leixões, a partir da Linha de AV Campanhã – Aeroporto FSC – Braga;
g) Renovação ou construção parcial da Linha do Corgo entre Régua e Vila Real, e renovação da Linha do Tâmega;
h) Prolongamento da actual Linha da Póvoa até Viana do Castelo.

Aconselho a todos os interessados no futuro da região a consulta do documento (muito interessante é a vontade do controlo da expansão urbana, a necessidade das novas áreas urbanas estarem ligadas a transportes públicos, etc). Vejam e critiquem, por favor.

Na Póvoa e na Vila já há comentários (perguntaram foi às pessoas erradas):

Proposta polémica para criar linha de comboio Senhora da Hora-Viana

A A possibilidade, prevista no Programa Regional de Ordenamento do Território (PROT) Norte, de o actual corredor do metropolitano de superfície a norte da Senhora da Hora voltar a ser utilizado como eixo para comboios, ainda que num futuro a médio ou longo prazo, é rejeitada pelos presidentes da Câmara da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, Macedo Vieira (PSD) e Mário Almeida (PS), respectivamente. Para o autarca vila-condense, essa hipótese “nem sequer é uma questão para debate”, uma vez que, no seu entender, “não tem razoabilidade”.

O regresso dos comboios à Linha da Póvoa (actual Linha Vermelha, explorada pelo Metro do Porto) apresenta-se como útil para prolongar a linha até Viana do Castelo, passando por Esposende, e ainda com a eventual possibilidade de integração de um troço do actual canal ferroviário da Linha do Minho entre Viana e Valença/Tui. Mas, para ser competitiva com a alternativa rodoviária representada pela A28, essa ligação ao Alto Minho teria de ser mais rápida que o metro, com diminuição do número de paragens, o que até poderia ser feito com o tipo de composições que a Metro do Porto está a comprar, os tram-trains.

Se se confirmar esta última a opção, o cenário agradaria ao actual presidente da câmara e, previsivelmente, futuro deputado do PS por Viana, Defensor Moura, que entende, no entanto, que o investimento prioritário deve ser a duplicação e electrificação da Linha do Minho, para melhorar a ligação do concelho ao hinterland minhoto, quer para tráfego de pessoas, quer para mercadorias. Com um concelho a ganhar importância no plano regional, fruto do seu porto e do posicionamento geográfico na euro-região Norte-Galiza, Moura concede que, de uma forma ou de outra, em termos de serviço, o que interessaria a Viana era ter uma ligação ferroviária mais rápida aos eixos principais, para evitar que, como aconteceu neste fim-de-semana, com uma comitiva de desportistas, se possa demorar quase sete horas a chegar à capital do Alto Minho desde Lisboa.
Para defender a opção ferroviária num troço substancial da antiga linha da Póvoa, a versão do PROT-Norte em aberto diz que a hipótese deve “basear-se na confirmação de quatro pressupostos essenciais”: “Ser indesejável um modelo de intensificação urbanística ao longo do corredor da linha entre Matosinhos e a Póvoa como solução para o aumento da sua utilização (…); manter-se a baixa procura neste serviço, o que significa uma relação custo/benefício muito desfavorável, a par de elevados custos de exploração (…); acentuar-se a procura rodoviária no IC1 [A28] ao longo do cordão litoral entre Porto e Valença, principalmente nos meses de Verão, mesmo com cobrança de portagens (…); e na eventualidade de vir a ser dispensável o troço entre Viana e Valença para o serviço de mercadorias, com a construção da linha mista de velocidade alta para norte do aeroporto”.

Quando, no final da semana passada, foi confrontado pelo PÚBLICO, Mário Almeida confessou que ainda não lera, com minúcia, a proposta constante do PROT, mas o autarca, que também integra a administração da Metro, realçou que era “a primeira vez” que ouvia falar da eventualidade de o comboio, ainda que a longo prazo, reocupar a linha. “Não tem lógica. O metropolitano tem vindo a conquistar clientes e ainda não está a funcionar a cem por cento”, disse o autarca, lembrando que, por exemplo, a principal estação de Vila do Conde nem sequer tem um parque de estacionamento apropriado, “por causa de um processo de expropriação que não avançou”.

Sendo assim, é previsível, na óptica deste socialista, que o ritmo da procura não pare de aumentar, tanto mais que vão entrar em funcionamento, na Linha Vermelha, os tram-trains, ou seja, composições mais robustas e confortáveis, com maior poder de aceleração e que se estima possam reduzir os actuais tempos de viagem. “Só depois disso é que a Metro vai fazer uma grande campanha de sensibilização”, revelou.

Na Póvoa, Macedo Vieira considera que a hipótese apontada no PROT é uma “novidade”, da qual discorda. No início do processo de implantação do metro, o autarca chegou a preconizar a manutenção da opção ferroviária – numa linha dupla e electrificada – até Matosinhos (Senhora da Hora), já que os comboios fariam essa ligação ao Porto em menos tempo. Mas, “agora, nem pensar”, assume. “O metropolitano está perfeitamente inserido no meio urbano e não queremos que, com os comboios, volte a surgir uma barreira no meio da cidade”.

No projecto da Metro admite-se a extensão da Linha Vemelha para norte, até Barreiros (onde seria criada um interface rodo-ferroviário), na zona nascente da cidade, aproveitando um troço do desactivado canal da linha Póvoa-Famalicão. Macedo Vieira, que até prognostica um aumento da importância da opção ferroviária, “por razões ambientais e de circulação rápida de mercadorias”, admite que o comboio venha a passar pela Póvoa, mas “nunca pelo centro”. Tal como Mário de Almeida, o autarca da Póvoa só aceitaria que o comboio contornasse a cidade, a nascente.

No Público.

Atualizações 28/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 28 de Julho de 2009 23:19

* Em Coimbra começam a surgir imagens da implantação urbana do metro – neste caso, com a inovação duma via rodoviária entre as duas vias ferroviárias. Também foi hoje que percebi que a modernização até Serpins implica mudança de bitola e eletrificação (óbvias), mas a linha vai manter-se em via única. Não me parece bem nem mal, o importante é que funcione.

Câmara 1

Em Lisboa, o metro do futuro vai crescendo para norte (aqui e aqui), e no Porto para sul (pormenores da ligação a Vila d’Este e da remodelação da rotunda de Santo Ovídio)

* Fantástica a conclusão do deputado Luís Vaz sobre a Linha do Tua – as pessoas não querem andar de comboio, por isso deve-se acabar com a linha. Como se a questão fosse essa.

* Os alentejanos são precavidos – para quê uma linha nova, a furar tudo, se já existe um traçado anterior?

(…)

A Câmara Municipal de Santiago do Cacém promove amanhã, 29 de Julho, a partir das 21h30, no Auditório Municipal António Chainho, uma sessão -debate sobre “Os Impactos Negativos do Novo Traçado da Ferrovia Sines-Santiago-Grândola no Alentejo Litoral”. Neste debate estarão presentes os autarcas das Câmaras de Grândola, Santiago do Cacém e Beja, assim como Fernando Nunes da Silva e Manuel Costa Lobo (Instituto Superior Técnico) e Augusto Mateus (Consultor). Recorde-se que as Câmaras Municipais de Santiago do Cacém e de Grândola, estão contra o traçado ferroviário, proposto no âmbito do PROT Alentejo, que prevê a ligação de Sines a Grândola. Estes dois concelhos defendem a requalificação da linha já existente, entre Sines e Ermidas, com ligação a Beja. A Câmara Municipal de Beja também partilha desta opinião. Os defensores desta opção garantem que “a proposta efectuada pela tutela abrange e destrói: aldeias, pinhais, lençóis freáticos e zonas de abastecimento de água, quintas históricas e um projecto de turismo rural da região”.

via Transportes em Revista Online

Atualizações 5/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Julho de 2009 5:37

* No Plano Estratégico de Transportes (PET) do Ministério das Obras Públicas encontra-se isto:

(…)

Concluir e executar o Plano Director da Rede Ferroviária Nacional, articulando as soluções de alta velocidade nas deslocações internacionais e no eixo Lisboa-Porto-Vigo com a concretização de um plano para a rede convencional, reforçando a interoperabilidade segundo padrões europeus, com destaque para a migração de bitola, eliminando os estrangulamentos

(…)

Assegurar no planeamento da Rede Ferroviária de Alta Velocidade do território continental, a articulação com o reforço e modernização das linhas e serviços do caminho de ferro convencional e com o restante transporte público e, quando se trate de estações localizadas fora dos perímetros urbanos, a ligação à rede rodoviária fundamental (IP e IC)

(…)

Via Transportes em Revista.

Gosto. Fala de um ‘Plano Director da Rede Ferroviária Nacional’, que desconhecia, mas que me agrada muito. E para além de deixar no ar a promessa da ‘migração de bitola’, não considera o eixo Lisboa-Porto-Vigo como um eixo internacional. Assim sim.

Fala também de ‘reforço e modernização das linhas e serviços do caminho de ferro convencional’. Não imagino o que isto quererá dizer.

* António Alves e a AV para Madrid, na Baixa do Porto:

Piruetas

Henrique Raposo, cronista do Expresso, no passado dia 20 de Junho escrevia no seu blogue um texto apologista da ligação TGV Lisboa-Madrid e apelidava de “grã-finismo tonto” a ligação Lisboa-Porto. O homem ia mais longe (efeitos com certeza da velocidade estonteante deste tipo de comboios) e falava até de um TGV Lisboa-Lyon. Do seu texto transcrevo as seguintes frases que me parecem resumir o pensamento do citado sobre o assunto.

“Parece-me evidente que Portugal precisa de uma Ligação de TGV à Europa. Lisboa – Madrid é precisa. Já me parece novoriquismo a ligação Lisboa-Porto.”

“Mas a questão continua a ser a mesma: temos dinheiro para o fazer nos próximos anos? A dívida externa passou de 14% do PIB, em 1999, para 100%, em 2008. Saber esperar é uma virtude. E saber as prioridades também. Lisboa/Madrid é necessário. Lisboa/Porto é grã-finismo tonto.”

Numa breve troca de emails fiz-lhe ver que, além do facto dos TGV’s serem competitivos apenas para distâncias de 500 a 700 km e tempos de viagem até 3 horas – Lisboa-Lyon é lirismo -, o traçado proposto era uma aberração que deixava mais de metade de Portugal de fora, pois ninguém de Braga ou do Porto estaria disposto a descer de comboio 350 km para sul, 200 para leste atravessando o Alentejo e, depois, mais 400 km para nordeste em direcção a Madrid. Isto é, uns absurdos 400 km suplementares quando afinal Madrid se situa à latitude de Coimbra (dado desconhecido lá para o sul) e a escassos 500 km desta região que vai do Minho até Coimbra. Provei-lhe também que os próprios estudos da Rave provavam que o corredor Grande Porto e Norte Litoral – Madrid teria mesmo maior procura que o corredor Lisboa – Évora – Badajoz – Madrid tanto em passageiros como em mercadorias. Mais importante ainda: informei-o que o corredor Lisboa-Porto seria mesmo o único que poderia gerar tráfego suficiente para se auto sustentar. A isto respondeu-me que defendia o TGV Lisboa-Madrid não por causa de quem “vai daqui para lá, mas quem vem de lá para cá”. A isto questionei-o se “quem vem de lá para cá” seria suficiente para pagar tal quimera. Até hoje não obtive resposta.

(…)

* Uma mulher: Anna Paquin

tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

Atualizações 2/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Julho de 2009 5:36

* É sempre um prazer ouvir Álvaro Domingues, homem literato, que fala com propriedade. Quando fala sobre o Porto e o Norte, então, é um prazer superior.

* Não é título do ano mas anda lá perto:

Santana quer novo túnel em Lisboa e pede “ajuda” a Deus para a vitória

No Público.

E vou mesmo votar em branco nas legislativas – Santana vai concorrer coligado com o MPT.

tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

Atualizações 1/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Julho de 2009 5:36

* Se Espanha fosse dividida em pequenos países, e acaso os novos países, outrora regiões periféricas, adotassem normas linguísticas muito rígidas, era um pouco isto que aconteceria:

Controversial amendment of Slovak language law passed

On Tuesday, 30 June, the Slovak Parliament passed the amendment of the Slovak Language Law. The new version will enter in force in September 2009. Members from the Party of the Hungarian Coalition expressed their conviction that the new law will hinder the enforcement of the linguistic rights of national minorities.

The original version of the law, passed in 1995 for the protection of the Slovak language ordered the exclusive use of the Slovak language in official and public communication. Several amendments have taken place since then.

Provisions concerning sanctioning were eliminated from the law in 1999. The current amendment brings these articles back by imposing fines. All physical persons, legal entities and organisations will be obliged to use the Slovak language in all forms of non-private communication. The non-observance of the law implies a sanction which may vary between 100 and 5,000 Euros.

Both oral and written communication must use Slovak. A version in a second language, which is word by word identical to the Slovak, may follow, but, if printed, only with smaller characters.

Culture Minister Marek Maďarič, who submitted the bill, denied that the amendment was aimed against the Hungarian minority. He said the law would not affect the use of minority languages. In the parliamentary debates, members from the Party of the Hungarian Coalition expressed their conviction that the new law will hinder the enforcement of the linguistic rights of national minorities. Party President Pál Csáky stressed that such a law did not exist even in the era of the Austro-Hungarian Monarchy. “This law would not have allowed Albert Einstein to become a professor at any Slovak university. As we know, Einstein was lecturing in German at the American universities because his English was not good enough”, he said.

It is interesting to note that those using the Czech language will not be sanctioned. Czech is an exception because it fulfils the requirement of basic understanding. Some other exceptions include for example, the communication between medical staff and their patients in health care or the possibility of regional broadcasting in a minority language. A new division will be set up in the Ministry of Culture to control the law’s enforcement.

136 MPs of the 150-member Slovak Parliament were present at the voting and 79 of them supported the amendment. The law also caused tensions in the relationship between Bratislava and Budapest. On Monday, the Speaker of Hungarian Parliament, Katalin Szili, sent a letter to her Slovak colleague asking for the postponement of the final voting – but in vain.

Articles in the Hungarian press and in the Hungarian-language press of Slovakia have stressed today that the law contributes to a climate of growing uncertainty and fear among minorities in Slovakia. (Eurolang 2009)

No Eurolang.

Agora imaginem como se sentem galegos, catalães, bascos, asturianos, etc. Um pouco como os falantes do húngaro na Eslováquia e outros países vizinhos – sem direitos linguísticos.

* Afinal Coruche não vai ter comboios diretos para Lisboa. Seja porque a linha está ’sobrecarregada’, seja porque a CP está dividida em unidades de negócios separados, a conclusão é só uma: as boas ideias nunca passam porque são ‘muito complicadas’.

Reactivação dos comboios de passageiros para Coruche obriga a transbordos no Setil

Congestionamento da Linha do Norte não permite ligações directas entre Coruche e Lisboa. Havia uma alternativa, mas não foi estudada pela CP

Os comboios de passageiros vão regressar à velha estação de Coruche, que fica a dois quilómetros da vila, mas os seus habitantes não terão ligações directas a Lisboa porque a Refer e a CP não conseguem meter mais comboios na linha do Norte devido ao seu congestionamento na zona suburbana da capital.

A solução encontrada passa pela existência de um vaivém entre Coruche e Setil que dará, nesta estação, ligação ao serviço da CP Regional para Lisboa. Desta forma os passageiros vindos de Coruche, Marinhais e Muge passarão a ter serviços diários para o Setil, onde apanharão os regionais de Tomar e do Entroncamento com destino a Oriente e Santa Apolónia.

Esta não era a pretensão do presidente da Câmara de Coruche, Dionísio Mendes (PS), que há anos defende a circulação de comboios directos entre o seu concelho e Lisboa, estando, em conjunto com os seus colegas de Salvaterra e Cartaxo, disponível para assinar um protocolo com a CP em que as autarquias comparticipam nos custos de exploração do serviço.

Trata-se de uma experiência inédita em Portugal, em que as autarquias assumem participar nos prejuízos da CP, em troca de um benefício para a comunidade que é o aumento da mobilidade. Mas neste caso a experiência pode não se revelar um sucesso por o transbordo no Setil vir a ter um efeito dissuasor na procura.

A impossibilidade de realizar serviços directos para Lisboa evidencia mais uma vez a necessidade de modernização da Linha do Norte, cujas obras foram mandadas travar por este Governo, tendo em conta que o TGV iria ligar Lisboa ao Porto.

O troço Lisboa-Azambuja é um dos mais congestionados da Linha do Norte porque, além dos suburbanos, também aí circulam os comboios de longo curso, regionais e de mercadorias. “Meter ali os comboios de Coruche para Lisboa iria mexer com os outros horários e a linha não tem capacidade para mais, sob pena de afectar toda a circulação e provocar atrasos”, disse ao PÚBLICO uma fonte da CP.

Na semana passada a Câmara de Coruche anunciou que até 15 de Setembro iria ser reactivada a circulação de comboios para Lisboa com 10 circulações diárias. Segundo o jornal Mirante (na sua edição online de 23/6/09), o tempo de viagem será de 75 minutos e o preço do bilhete entre Coruche e Lisboa de 2,70 euros, sendo o passe mensal de 119 euros.

A circulação de comboios de passageiros entre Setil e Vendas Novas (70 km) foi interrompida em 2005 devido à fraca procura, tendo a CP substituído a automotora dos anos quarenta que aí tinha por um serviço rodoviário. Como habitualmente, os autocarros acabaram por desaparecer algum tempo depois.

Graças à pressão dos municípios, a empresa volta agora a pôr os comboios nos carris, mas só do Setil a Coruche, numa extensão de 35 km. Na impossibilidade de fazer directos para Lisboa, bastaria realizá-los de Coruche à Azambuja, onde os passageiros poderiam prosseguir viagem para a capital, dispondo de maior oferta. Essa situação, porém, não foi contemplada pela CP, que continua dividida em unidades de negócios estanques: Azambuja é “território” da CP Lisboa e Coruche da CP Regional.

Ligação a Lisboa através da Azambuja facilitaria a vida aos utentes, com mais comboios, mas a CP não a teve em conta

No Público.

tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

Panorama Theme by Themocracy