Category: Porturaridade

Dois de março de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Março de 2010 17:05

O país tem cidadãos suficientes para que as coisas sejam bem feitas. Só que ninguém os quer ouvir.

Rui Tavares, sobre a tragédia na Madeira.

Atualizações (Alta Velocidade) 19/2/10

By Nuno Gomes Lopes, 20 de Fevereiro de 2010 0:38

* Para provar que a Rave é gerida por mentecaptos, aqui está um pmf (perguntas mais frequentes, faq para os anglófonos) para o provar. Um exemplo:

RAVE

A lógica é consfrangedora, e isto supondo que foi escrito por adultos sem problemas mentais. Eles dizem que existe ‘apenas’ uma via ferroviária entre Porto e Lisboa; que esta está saturada; e que a ‘única’ solução é construir uma linha de luxo. Ora nem existe apenas uma linha entre Porto e Lisboa (como mostrarei nos próximos dias) nem construir uma linha nova pode ser considerado a ‘única solução’. Podem fazer como os suíços, que enfrentam problemas semelhantes não numa das linhas mas em parte da rede, muito bem ilustrado pelas meninas d’A Nossa Terrinha.

Para que os senhores da Rave percebam, eu explico. Se a brochura fizesse perguntas como ‘Afinal o Oeste vai ter uma estação?’ e respondesse ‘Sim. Apesar de a construção do aeroporto da Ota ter sido cancelada, a Região do Oeste manterá a estação, localizada em Rio Maior’, isto teria algum sentido. Mas quando perguntam coisas como ‘A exploração do serviço de Alta Velocidade será rentável?’, ao que respondem ‘Sim. As receitas previstas superam claramente os custos operacionais.’, está tudo dito. A sustentabilidade económica dum projeto pode bem acontecer. Ou não. O que distingue uns dos outros são os riscos inerentes. A rede de Altas Prestações pode correr bem. Ou não. Não se pode é dizer categoricamente que sim. É considerar os potenciais leitores potenciais ignorantes ou estúpidos.

* Em Ponte de Lima criaram uma petição contra a passagem do “TGV” no concelho. Concordo com o essencial: acho que Ponte de Lima devia estar ligada à rede ferroviária convencional; não acho que deva ser construída uma linha que cruza Ponte de Lima sem trazer mais que prejuízo para a população local e sem lá fazer uma estação. Notícia e notícia.

E convém não esquecer que um “TGV” é um comboio na França.

* E a Alta Velocidade, por mais exdrúxula que possa ser, alguma coisa de bom nos há de trazer. No caso da AV alentejana, foi introduzido um sistema australiano que permite o varrimento digital dos terrenos, à procura das melhores soluções de trajeto entre milhares disponíveis. Poupa-se dinheiro e, mais importante que isso, o território.

Ainda ninguém (incluindo o jornalista que escreveu o artigo, Carlos Cipriano) explicou porquê ‘uma poupança de 900 milhões de euros’ num projeto que mantém a estação a sete quilómetros de Évora.

(o senhor do blogue mais atrás esqueceu-se de referir que o texto era do Público. acontece)

Paradoxo a Alta Velocidade

By Nuno Gomes Lopes, 12 de Fevereiro de 2010 20:16

aqui grande

Um esclarecimento: sou contra o projeto da rede de altas prestações em Portugal. Passa-se de uma rede ferroviária anacrónica e ineficiente para duas redes, uma antiga e outra ultramoderna, sem ligações óbvias entre si nem com o centro das concentrações urbanas que pretendem servir.

Das quatro linhas previstas no acordo com o Estado espanhol (Faro-Huelva, Porto-Vigo, Aveiro-Salamanca e Lisboa-Madrid), o Governo português pretende construir apenas duas (Porto-Vigo e Lisboa-Madrid), e neste cenário de crise económica já deu a entender que a única a ser construída será a linha Lisboa-Madrid. Para além de o corredor (Porto)-Aveiro-Salamanca-Madrid ter maior potencial de utilizadores que o corredor Lisboa-Madrid (algo que é admitido pela própria Rave), o Governo optou pelo corredor sul, algo totalmente excêntrico à mega-região Setúbal-Corunha e que não faz mais que ligar as duas capitais, sem qualquer interesse para o resto do país.

A referida linha (Lx-Madrid) não irá suportar mercadorias. Terá apenas uma terceira linha junto a si em bitola ibérica (!?) que, vinda de Sines, ligará este Porto a Elvas e a Madrid. E será por Madrid que morrerão os nossos sonhos europeus. As composições vindas de Portugal (Lisboa) farão término lá, e nem as mercadorias descarregadas em Sines terão um canal de descarga para a Europa, pois a linha a construir entre Sines e Madrid em bitola ibérica só lhe permitirá alcançar Irun, nos Pirinéus.

Bastaria uma linha a ligar à Meseta, que nem necessitaria da Alta Velocidade para ser eficiente. Na dúvida, a única a construir seria a Linha Aveiro-Salamanca, mista de passageiros e mercadorias, que permitiria o escoamento das mercadorias de todo o país e de passageiros de todo o arco Atlântico entre Viana e Setúbal. Para Madrid e para a Europa.

Também de referir outra injustiça feita ao norte, e isto se as linhas Porto-Lx e Porto-Vigo forem realmente construídas. A norte do Douro, ao contrário das linhas Porto-Lx e Lx-Madrid, a linha será de Velocidade Elevada, o que significa velocidades até 250 km/h. A poupança do governo central começou aqui, na definição das características da via. Depois decidiram que apenas metade da linha seria construída (Braga-Valença), sendo a ligação Braga-Porto (uma das zonas com maior densidade populacional do país) feita pela linha atual, sem passar no aeroporto. A terceira poupança consistiu na opção de ter apenas passageiros na ligação entre Porto e Vigo. O que significa que as mercadorias são atiradas para a Linha do Minho, e os portos do norte continuarão dependentes de uma linha em bitola ibérica.

PIDDAC 2010

By Nuno Gomes Lopes, 9 de Fevereiro de 2010 20:11

final

Mais uma infografia a juntar ao monte ‘carago andam a tramar o norte’. Neste caso disseco a distribuição do PIDDAC 2010 em função das NUT II (de referir que estes montantes se referem apenas aos projetos PIDDAC que se restringem às fronteiras das NUT II, +- 51% do valor total).

aqui grande

Nota:
PIDDAC – Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central
“Constitui o quadro de referência da despesa pública de investimento realizada pela Administração Central (incluindo despesas de apoio ao investimento de outros sectores institucionais através de subsídios e transferências designadamente no âmbito dos “sistemas de incentivos” e de esquemas de colaboração com entidades exteriores à Administração Central). O PIDDAC é descrito através do mapa XV do Orçamento do Estado, que detalha de forma regionalizada os respectivos programas e medidas orçamentais, articulados com as GOP e com o QCA III, evidenciando os encargos plurianuais e as fontes de financiamento. As principais fontes de financiamento são o próprio Orçamento de Estado (capítulo 50.º), a comparticipação comunitária, e os recursos próprios dos fundos e serviços autónomos, incluindo não só o auto-financiamento mas também o crédito contratado directamente pelas entidades. Vide: Lei n.º 91/2001, de 20 de Agosto, 29.º”

Atualizações ferroviárias 7/2/10

By Nuno Gomes Lopes, 8 de Fevereiro de 2010 1:35

* Por norma não inverto o ónus da prova quando uma notícia contém ‘nova ferrovia’ nos seus conteúdos. Mas uma ‘nova ferrovia’ que «retalha aldeias, arranca sete mil sobreiros» não é flor que se cheire de ânimo leve. Felizmente, o Governo decidiu reconsiderar a construção da ligação Sines – Elvas em caminho-de-ferro. Entre outras coisas, utilizando «o ramal já existente das Ermidas». Fazer uma linha nova onde (em parte) já existe uma linha não é assim especialmente inteligente.

* Tanto rio até à histeria com declarações de membros do Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações como me vejo obrigado a concordar com algumas dessas declarações. O Secretário de Estado dos Transportes diz que

No dia em que se comemoraram 50 anos do Metro de Lisboa, o secretário de Estado dos Transportes, Carlos Correia Fonseca, defendeu o alargamento da rede dentro da cidade em detrimento da expansão para a periferia.

e eu aplaudo. O problema é que logo a seguir diz que

Como tal, disse que se afigura importante “rever o plano de investimentos da empresa, privilegiando a densificação da rede no centro da cidade e as soluções de articulação entre modos de transporte, sem esquecer, é claro, a coroa suburbana, para a qual os autocarros ou os metros de superfície deverão constituir resposta adequada”.

Ai. O metro de superfície ao barulho outra vez. E nada sobre ferrovia convencional. Ainda há seis meses se dizia isto sobre as expansões para a periferia de Lx. Em que ficamos, metro ligeiro ou metro pesado?

* Calendariza-se para finais de Março ou Abril a reabertura da Linha do Douro entre Foz-Tua e o Pocinho, ainda com restrições de velocidade até Setembro. Já era tempo, fónix.

A reabertura da linha até Barca d’Alva, que parecia mentira (promessa de Ana Paula Vitorino dum investimento de 25 milhões de euros), é afinal mesmo mentira.

* Continua a incrivelmente perfeita e definitivamente corajosa formulação de dizer que, com a crise económica e tendo de se tomar decisões, a única linha de AV/VA a construir é a Lisboa-Madrid. Quem faz estas afirmações ou faz parte do Governo atual ou de Governos futuros, convém relembrar. Com ou sem estudos encomendados à mistura.

Na dúvida, qual construir? A ligação de Lisboa a este (Lx-Madrid) ou a norte (Lx-Corunha)? Uma linha a cruzar os territórios menos ocupados da Península ou uma linha a cruzar longitudinalmente a 33ª mega-região do mundo? A linha que apenas garante 1,9 milhões de passageiros / ano ou a linha que só no troço Lx-Porto garante 4,1 milhões? A linha de luxo que, excetuando linhas novas na China e no seu troço português, tem a velocidade média mais alta do mundo ou a linha que cruza a fronteira mais utilizada do país (Tui-Valença)?

Bom, basta. Sou contra a Alta Velocidade num país que nem uma rede convencional tem. Na Alemanha as linhas rápidas foram primeiro construídas na zona mais populosa e com mais indústria / criação de riqueza (oeste-sul) e só depois chegaram à capital. Em Portugal, o direto inverso.

* No Público falam de um ‘labiríntico tarifário da CP’. Não sei a que se referem. Um labirinto tem por regra uma entrada e uma saída.

Atualizações ferroviárias 11/1/10

By Nuno Gomes Lopes, 12 de Janeiro de 2010 1:59

* Em Braga vai evitar-se prolongar a ‘Velocidade Elevada’ até ao centro para poupar dinheiro, fazendo-se por isso a estação na Aveleda. Ora, para a construir na Aveleda, vai ser necessário construir um túnel de 2,2 quilómetros. É um paradoxo delirante, ainda por explicar: se a linha continuasse para o centro e parasse na atual estação, necessitaria apenas de um túnel de saída para norte de Maximinos, já que a ligação a sul já existe; como acham que isso é muito caro, afastam a estação do centro, o que implica um túnel de 2,2 quilómetros. Sem sentido?

E a ideia de construir uma estação em Valença/Tui e não construir em Ponte de Lima?

Neste percurso ficarão duas estações: uma a Poente da cidade de Braga e outra a Nascente de Valença com ligação à futura plataforma logística.

Porém, apesar de ainda não estar definido o modelo de exploração da linha que entrará em operação em 2015, o resumo não técnico do estudo de impacto ambiental para este troço destaca o facto da existência das duas estações não obrigar à paragem de todos os comboios nesses locais. “De acordo com os estudos realizados, para além dos serviços [directos] Porto-Vigo, estão também previstos serviços com paragens intermédias, que poderão servir de forma alternada essas estações ou abranger a totalidade”, refere-se no documento.

Para terminar em beleza, e confirmando a inutilidade e falta de sentido do projeto, foi anunciado um atraso de dois anos (início de atividade apenas em 2015) e que servirá apenas passageiros. A única hipótese de as mercadorias portuguesas terem acesso direto à rede de bitola europeia ficou adiada, pelo menos, 20 anos. Fracasso total.

* Continuando o passeio pela depauperada ferrovia portuguesa, o troço da entre Foz-Tua e o Pocinho da Linha do Douro está fechado desde o Natal passado, motivado pela derrocada de rochas sobre o leito da via. Apesar de

O Governo anunciou no passado mês de Setembro um projecto global de investimentos para a mobilidade no Douro de cerca de 400 milhões de euros, destinado à revitalização de toda a linha férrea do Douro, arranjos das margens e construção do futuro terminal de cruzeiros de Leixões.

(Público)

, o prazo para a reabertura poderá estar a seis meses de distância. Seis meses é muita coisa numa linha ferroviária. É uma quase-morte. Será possível demorar seis meses a remover rochas caídas na via?

Entretanto, o Público elencou todas as linhas / troços encerrados para obras, que significam no seu conjunto 10% da rede ferroviária nacional.

E o JN noticia as queixas no eixo Pampilhosa / Figueira.

Uma das linhas encerradas é a do Tua. Já não resta às populações muito mais do que o recurso aos tribunais e às ações de rua, já que a decisão de não reconstruir a linha nos primeiros 16 quilómetros a seguir à Foz já foi tomada há muito. Uma decisão ilegal, algo já demonstrado antes. A destruição da via já começou, como se pode ver aqui, aqui e aqui.

* O comboio vai chegar ao Porto de Aveiro já este mês. Ainda sem eletrificação.

* O concurso para finalizar a reconversão da antiga Linha de Guimarães (troço ISMAI / Trofa) já foi lançado, estimando-se a reabertura para 2013-2014. Em setembro, véspera de eleições, a secretária de Estado forjou a coisa, mas agora é mesmo a sério.

Outro prazo anunciado, o do lançamento das obras da segunda fase do Metro do Porto, foi atirado de Outubro passado para Abril próximo. Segundo o ministro,

O governante lembrou que os recursos “são escassos” e que “não estamos na Suíça”, pelo que é “necessário fazer uma correcta gestão” dos investimentos.

Não somos ‘como a Suíça’ no que toca à Alta Velocidade, Aeroporto ‘nacional’ em Lisboa, etc., esbanjando fundos públicos em projetos irreais e errados, mas temos de ser ‘como a Suíça’ na expansão do Metro do Porto. Um país, dois sistemas.

Sete de janeiro de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 7 de Janeiro de 2010 21:11

Se Castanheira Barros, que anunciou em Dezembro passado a intenção “firme” de se candidatar à presidência do PSD, for alguma vez líder do partido e chegar a primeiro ministro de Portugal, apoiará um projecto de túneis (a exemplo do Canal da Mancha) que ligue as ilhas do Faial ao Pico e do Pico a São Jorge, nos Açores.

No DN.

Cinco de janeiro de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 5 de Janeiro de 2010 12:55

O Executivo da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães vai alargar o cemitério velho da vila e deixar o novo, no qual se gastou 1,3 milhões de euros, sem qualquer uso. Pelo menos para já. A oposição não concorda e defende a realização de novos estudos.

No JN.

Ciclovias de prazer

By Nuno Gomes Lopes, 5 de Janeiro de 2010 0:26

Já dizia o ditado, um mau jornalista dá-te coceira no cu (ditado que, curiosamente, não existe). Notícia no Público sobre o Entroncamento. Lê-se o título e, uau!

Entroncamento acelera construção de rede de ciclovias

Fica-se mesmo a pensar que o Entroncamento irá ser o paraíso das ciclovias. Lê-se mais um pouco e, uh?,

Até ao momento, o concelho dispõe de 2,2 quilómetros de ciclovia.

e que

A rede das ciclovias do Entroncamento terá, quando concluída, uma extensão global de cerca de quatro quilómetros

e conclui-se que a mísera (2.2 qms!) rede de ciclovias atual do Entroncamento nem sequer duplicará. Bela notícia, portanto. Ah, e

A médio prazo será possível atravessar a cidade de um extremo ao outro e aceder às principais zonas de lazer sem sair das vias dedicadas às bicicletas e, nalguns troços, também a peões.

Ciclovias de lazer. Raio de invenção.

(só a ciclovia entre o Estádio do Varzim e o forte na Foz do Ave tem mais de 5 qms, e nem é assim especialmente comprida)

Trinta de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Dezembro de 2009 23:53

“O acordo remete muitas vezes para uma tradição, mas em lugar nenhum define qual é essa tradição. Por isso optámos por regularizar bastante a ortografia”. Em muitos casos isto significou tirar os hífens (de “cor-de-rosa”, por exemplo, que o acordo admitia com hífens referindo a “tradição”, ao mesmo tempo que deixava sem hífen “cor de vinho”). Quando a referência é a pronúncia optou-se por seguir a da região de Lisboa.

No Público.

Atualizações 18/12/09

By Nuno Gomes Lopes, 19 de Dezembro de 2009 6:03

* A Transportes em Revista sugere uma lista de projetos de Alta Velocidade no mundo, incluindo os planeados, os que estão a ser construídos e os que já se encontram em operação. Uma busca inicial provou-me o que já tinha lido algures: tirando projetos na China, o troço português da Linha Lisboa-Madrid é o único com velocidades previstas de 350 qm/h. Todos os outros projetos no mundo têm velocidades previstas de 300 qm/h ou menos. O que é um paradoxo, pois é um eixo com baixíssima densidade populacional, com uma quase inexistente ferrovia convencional em funcionamento e uma procura reduzida. É mais um ato tresloucado que um projeto a sério. A sério.

Pelo meio das notícias os avanços nessa linha, li que a futura estação de Évora será a sete quilómetros do centro de Évora, com uma ligação em ferrovia convencional ao centro. Sete? Já agora vinte. Ou quarenta. Gente ceguinha.

Em Braga contestam-se ‘algumas’ demolições no achegamento da AV à cidade. O urbanismo caótico, totalmente desregulado, que foi praticado e continua a ser praticado pelas nossas autarquias, tem sempre algum bizarro defensor. E já nem falo da ideia da estação fora do centro, o mais parvo de tudo isto.

* Os Verdes ‘entregaram no Parlamento uma iniciativa legislativa que visa suspender de imediato o Programa Nacional de Barragens Hidroeléctricas‘. Fizeram muito bem. Já chega de política feita em cima do joelho, que manda as populações locais às urtigas e se rege pelos princípios errados. A redução da produção de CO2 até pode ser uma ideia amiga do ambiente, mas não é construindo barragens que se ajuda o ambiente.

* Depois de promessas de Cinemateca e murmúrios de vida do Cineclube do Porto, o cinema volta mesmo ao concelho do Porto. O Nun’Álvares, do qual acompanhei os últimos meses de vida em 2005, reabriu ontem, dia 17. Com tecnologia 3d e vontade de conquistar públicos novos para o cinema. Uma atitude de louvar.

* Bons ventos sopram da Catalunha. Primeiro o referendo independentista, repetição em 166 municípios da votação iniciada em Arenys de Munt em Setembro. Depois a proibição das touradas em todo o Principado, ato de inquestionável humanidade para qualquer pessoa esclarecida e imparcial.

* Notícia incrível, juntando no mesmo texto multimodalidade, Braga, Cabeceiras de Basto, Barcelos, Vila Verde e Porto.

* A Linha de Leixões já reabriu e já há notícias sobre o como correm as coisas. Gente é que ainda há pouca. Talvez quando ela realmente servir para alguma coisa que não ligar São Mamede de Infesta a Ermesinde.

Dezoito de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 18 de Dezembro de 2009 19:07

A associação das Pequenas e Médias Empresas considerou que o projecto da Alta Velocidade, que o Governo português está a desenvolver conjuntamente com o Executivo espanhol, “serve apenas os interesses da economia espanhola”.O presidente da Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas (ANPMES), Fernando Augusto Morais, classificou hoje o projecto do TGV como um “mega sacrifício nacional”, que não tem “retorno a curto ou médio prazo” e que “condiciona a sustentabilidade” do país.

“É oneroso e ridículo pensar que o TGV fará o milagre de nos tornarmos competitivos, de travarmos as falências e o crescimento da taxa de desemprego”, considerou a ANPMES na mesma nota enviada às redacções.

Fernando Augusto Morais

Atualizações 10/12/09

By Nuno Gomes Lopes, 11 de Dezembro de 2009 1:40

* 14 razões para a Preservação do Património do Vale do Tua.

* Toda esta cena é infeliz. Compreendo que Maria José Nogueira Pinto seja uma snob ‘da linha de Cascais’ que inventa palavras como ‘adqüirem’ (a fazer lembrar os bíblicos ‘contéudos’ de António Vitorino). O que não lhe reconheço é a legitimidade para insultar indiscriminadamente outro deputado, e logo eles que são membros de um órgão de soberania como a Assembleia da República. Não especialmente elegante a resposta de Ricardo Gonçalves, que apesar de tudo toca num ponto sensível: a ideia de ‘capital’ como direto oposto de ‘província’, ainda profundamente enraizada na sociedade portuguesa.

* É claro, a Póvoa tem de antecipar as vagas inumeráveis de migrantes oriundos de ilhas devastadas pelas mudanças climatéricas. Milhares de migrantes!, aviso-vos. Agora a sério, tanto prédio para quê?

Câmara da Póvoa aumenta índices de construçãopara [sic] ter mais prédios nas áreas de expansão da cidade

No Público.

* Em Gondomar volta a política de grande calibre. A ideia mirabolante de Valentim Loureiro de concentrar em si a maior parte das competências na área do urbanismo teve um acrescento de delírio com a votação da mesma proposta (rejeitada anteriormente em reunião da Câmara) aproveitando a ausência de dois vereadores do PS. Para além de desleal, a votação de questões não previstas na ordem de trabalhos é ilegal. Onde há Valentim não há lei, parece-me.

* Como muito bem apontado pelos amigos do menos1carro, uma medida simpática da Câmara de Almada foi totalmente cilindrada por esta reportagem do ‘nós por cá’. A plantação de árvores fora dos passeios é de louvar: para além de poupar espaço aos peões, ajuda à redução da velocidade dos carros. Isto, claro, acompanhado de sinalização horizontal e alguma sinalização vertical. É o efeito ziguezague.

O ‘nós por cá’ optou pela total ridicularização da questão, apostando em transmitir sem critério a opinião dos passantes, por mais parvas que soassem. O programa pode por vezes tocar em pontos sensíveis, mas se se deixa encantar pela sua própria prosápia, repetindo avulsamente o tom jocoso e a música parva e falando apenas com um dos lados da questão, perde objetividade. E filmarem carros em cima do passeio como uma paisagem natural e as árvores na via como extravagâncias é ser-se estúpido. Ou tratar os espetadores como estúpidos.

* Nada de novo na CP. Horários de inverno, mais transbordos. Caricato é perceber que é a própria CP a reconhecer que não consegue fazer melhor:

[...]

O presidente da empresa, Cardoso dos Reis, está consciente desta realidade. “A lógica da CP dividida em unidades de negócio, no sentido da privatização, levou a que estas trabalhassem de forma autónoma”, reconhece. Mas, aparentemente, não consegue resolver o problema. “As forças integradoras não conseguiram fazer vingar uma perfeita coordenação entre elas”, disse ao Público.

No Público, via ComboiosXXI.

Oito de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 8 de Dezembro de 2009 12:13

O Bloco de Esquerda defende que o vereador da Câmara de Odivelas que se despistou no domingo na A9 com uma viatura camarária, apresentando uma taxa de alcoolemia acima do permitido, deve demitir-se do cargo.

[...]

Contacto pela Lusa, o vereador Hugo Martins, que assumiu a vereação em Novembro passado, depois das eleições autárquicas, reiterou que “os factos não correspondem nem de perto nem de longe à verdade”, e que só irá “esclarecer tudo nas instâncias próprias”, tal como já dissera anteontem ao JN.

No JN.

Republicando imagens 3

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Dezembro de 2009 12:20

À esquerda a distribuição da população continental por distritos (a realidade); à direita a distribuição dos dinheiros (a ficção).

(aqui grande)

Título do Ano 40

By Nuno Gomes Lopes, 26 de Novembro de 2009 13:06

“Governo só nos vai dando dinheiro porque a lei exige”

No JN.

Vinte e três de novembro de dois mil e oito

By Nuno Gomes Lopes, 23 de Novembro de 2009 1:47

Vamos pôr em vigor o PDM antigo, para que todos possam fazer a casa onde quiserem e os vossos filhos não precisem de mudar de concelho

Avelino Ferreira Torres. Na Visão.

Atualizações 21/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 21 de Novembro de 2009 2:30

* O córnico (não confundir com cómico, um outro tipo de linguagem), língua céltica (como o gaélico), vai passar a fazer parte do espaço público da Cornualha, juntamente com o inglês. Ainda não na sinalização viária (como na imagem, na Escócia), mas apenas em afixações públicas. O governo regional também começará a usá-lo, sendo a tradução da sua página a primeira medida a tomar. No PGL.

Mallaig_sign

* Já deu processos judiciais no passado, acusando o Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Varzim (e, por inerência, o Presidente da Câmara) de utilizar dinheiros públicos para promoção pessoal. Não obstante, a Junta de Freguesia continua a organizar o São Martinho do idoso, almoço em que se come castanhas e se atura comício dos Presidentes da Junta e da Câmara.

Não é o desperdício de fundos públicos que me chateia – longe disso. O desperdício do dinheiro que é de todos é a constante na gestão autárquica por todo o país. O que me chateia é a soberba de quem se acha acima da lei, organizando estes eventos que servem apenas para comprar votos e enganar gente com pouca cultura democrática. Chateia mesmo.

Atualizações 13/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 14 de Novembro de 2009 1:52

* Fotos novas no flickr. Avulsas e sem relação entre si, como deve ser.

* O Algarve quer ligar-se à Andaluzia por comboio, o que faz todo o sentido. Não explicam é quem pagará a linha – nos 45 qms entre Vila Real de Santo António e Huelva esta não existe.

* A Metro do Porto prepara-se para, a partir de segunda, construir o nó rodoviário mais maluco da península e arredores. Em Vila Nova de Gaia, na atual rotunda de Santo Ovidio. Como numa sandes de vários andares, terá carros/metro/carros. Loucura total.

metro4

Um nadinha de carros a mais, talvez?

* Continuando por Gaia, Luís Filipe Menezes sugere uma ‘rede de elétricos rápidos’ no concelho. Se Gaia fosse uma cidade isolada e não uma parte de uma cidade maior (Porto, ou Grande Porto) isto teria algum cabimento. Assim, é apenas mais uma boutade, infelizmente normal em LFM. O Grande Porto tem de abandonar este jogo de capelinhas. Talvez abandonando as birras e deixando a Autoridade Metropolitana de Transportes iniciar os seus trabalhos?

* Descobri aqui uma pequena resenha dos gastos em transportes públicos desde 2005. Leio e percebo que a CP, de tanto mirrar, ainda morre de subnutrição.

* O Acordo Ortográfico avança seguro. A 21 de Outubro foi lançado o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora. Inclui 800 palavras galegas (não utilizadas em Portugal e no Brasil), e será complementado por vocabulários equivalentes a lançar brevemente pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras.

* Alguns avanços na discussão da erradicação da natureza por parte dos seres humanos na face ocidental da Península Ibérica do desenvolvimento equilibrado do país. Primeiro o Shapes of Portugal, que mostra de forma gráfica a distribuição da população pelo território do país e as suas divisões administrativas, das quais destaco as ‘Discrepâncias (Lisboa e Porto)‘. A seguir estes ‘Cartogramas de População‘, bichos feios que importa dissecar.

prt

Atualizações 10/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 10 de Novembro de 2009 1:18

* O novo Secretário de Estado dos Transportes acerta em todas de uma só tacada (tirando, obviamente, a insistência na Alta Velocidade). O que conseguirá fazer em quatro anos?

* Mais um país a dar o necessário passo em frente linguístico – a Moldávia. Por alturas da independência, viram-se forçados, senão a forjar uma identidade nacional no seu todo, pelo menos a fazê-lo no lado linguístico. Para o efeito criaram uma língua nacional, o moldavo, radicalmente separada do romeno pela violência de uma fronteira. Os anos e as pessoas esclarecidas vieram a provar o ridículo desta opção, que chegou ao cúmulo de se ter inventado um dicionário romeno-moldavo, rapidamente esquecido por todos (bizarria semelhante aconteceu deste lado do mundo, por incrível que pareça). Agora todos parecem ter percebido o grau do erro e o moldavo vai deixar de existir. Paz à sua alma. Apenas romeno a partir de agora.

Mais no PGL.

* Não se cura uma coisa parva fazendo uma coisa ainda mais parva. Eu defenderia a demolição do Coutinho se esta fosse grátis e sem custos ambientais. Foi um erro construí-lo e está exatamente no meio do centro histórico de Viana do Castelo. Agora o estádio de Aveiro, estrutura moderníssima e recente? Deus meu, quanta falta de juízo.

*

Câmara de Braga incentiva utilização do comboio

Esta só não a ponho no Título do Ano para não sujar essa categoria com politicazinha local. Eu gostava que a Câmara Municipal de Braga se preocupasse com os comboios, mas tudo me leva a crer do contrário. É a capital dos atropelamentos, lembram-se?

* E por hoje chega. Continuo por aqui e aqui. Boa noite.

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