Category: Galiza

A ignorância é uma bênção 1

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Março de 2010 19:16

Tem um ar franzino, cabelos e barba alourados e olhos claros. Herdou o sobrenome de um avô da “Galicia” (como diz, sem reparar que pronuncia o nome da região em galego), o que lhe confere um certo ar internacional, mas é português, ninguém faça confusão. “O meu avô era espanhol da Galicia, conheceu a minha avó e casaram. Mas a partir dessa geração somos todos cá do Porto.”

(reportagem na Pública sobre Ricardo Andrez, estilista portuense)

Adoro quando alguém se orgulha do seu apelido ‘espanhol’ oriundo da Galiza. Enquanto que por lá há González a migrarem os seus nomes para Gonçalves (ou para um intermédio Gonçales), há portugueses que mostram com brio o seu apelido galego-português castelhanizado.

Continuando pelo artigo, ‘Galicia’ não é “o nome da região em galego” mas sim o nome em castelhano. No ‘galego oficial’, regido pela Real Academia Galega, ‘Galiza’ não existe, assim como não existe ‘passeio’ nem ‘aldeia’. Quando uma palavra claramente galego-portuguesa não existe na norma oficial, ela é substituída por um neologismo ou por um castelhanismo. Como é o caso de ‘Galicia’.

Aqui outro jornalista cometia o mesmo erro, quando dizia que “com os quais recolhem os meixões (angulas, em galego)”. Angula significa meixão em castelhano; em galego oficial, a palavra a utilizar deverá ser ‘meixón’, como mostra a wikipedia galega.

A Europa das línguas

By Nuno Gomes Lopes, 8 de Fevereiro de 2010 18:33

Image-Languages-Europe

Belíssimo mapa (simplificado) da realidade linguística deste lado dos Urales. Os pontilhados representam zonas de substituição linguística, em que a língua oficial está a sobrepôr-se à língua histórica do território.

A azul estão as línguas romances, nos vermelhos-laranjas as eslavas, a verde as germânicas e a castanho as fino-húngricas. O galego, como é óbvio, tem a mesma cor do português, mas encontra-se em perda no território do Estado Espanhol.

Atualizações ferroviárias 11/1/10

By Nuno Gomes Lopes, 12 de Janeiro de 2010 1:59

* Em Braga vai evitar-se prolongar a ‘Velocidade Elevada’ até ao centro para poupar dinheiro, fazendo-se por isso a estação na Aveleda. Ora, para a construir na Aveleda, vai ser necessário construir um túnel de 2,2 quilómetros. É um paradoxo delirante, ainda por explicar: se a linha continuasse para o centro e parasse na atual estação, necessitaria apenas de um túnel de saída para norte de Maximinos, já que a ligação a sul já existe; como acham que isso é muito caro, afastam a estação do centro, o que implica um túnel de 2,2 quilómetros. Sem sentido?

E a ideia de construir uma estação em Valença/Tui e não construir em Ponte de Lima?

Neste percurso ficarão duas estações: uma a Poente da cidade de Braga e outra a Nascente de Valença com ligação à futura plataforma logística.

Porém, apesar de ainda não estar definido o modelo de exploração da linha que entrará em operação em 2015, o resumo não técnico do estudo de impacto ambiental para este troço destaca o facto da existência das duas estações não obrigar à paragem de todos os comboios nesses locais. “De acordo com os estudos realizados, para além dos serviços [directos] Porto-Vigo, estão também previstos serviços com paragens intermédias, que poderão servir de forma alternada essas estações ou abranger a totalidade”, refere-se no documento.

Para terminar em beleza, e confirmando a inutilidade e falta de sentido do projeto, foi anunciado um atraso de dois anos (início de atividade apenas em 2015) e que servirá apenas passageiros. A única hipótese de as mercadorias portuguesas terem acesso direto à rede de bitola europeia ficou adiada, pelo menos, 20 anos. Fracasso total.

* Continuando o passeio pela depauperada ferrovia portuguesa, o troço da entre Foz-Tua e o Pocinho da Linha do Douro está fechado desde o Natal passado, motivado pela derrocada de rochas sobre o leito da via. Apesar de

O Governo anunciou no passado mês de Setembro um projecto global de investimentos para a mobilidade no Douro de cerca de 400 milhões de euros, destinado à revitalização de toda a linha férrea do Douro, arranjos das margens e construção do futuro terminal de cruzeiros de Leixões.

(Público)

, o prazo para a reabertura poderá estar a seis meses de distância. Seis meses é muita coisa numa linha ferroviária. É uma quase-morte. Será possível demorar seis meses a remover rochas caídas na via?

Entretanto, o Público elencou todas as linhas / troços encerrados para obras, que significam no seu conjunto 10% da rede ferroviária nacional.

E o JN noticia as queixas no eixo Pampilhosa / Figueira.

Uma das linhas encerradas é a do Tua. Já não resta às populações muito mais do que o recurso aos tribunais e às ações de rua, já que a decisão de não reconstruir a linha nos primeiros 16 quilómetros a seguir à Foz já foi tomada há muito. Uma decisão ilegal, algo já demonstrado antes. A destruição da via já começou, como se pode ver aqui, aqui e aqui.

* O comboio vai chegar ao Porto de Aveiro já este mês. Ainda sem eletrificação.

* O concurso para finalizar a reconversão da antiga Linha de Guimarães (troço ISMAI / Trofa) já foi lançado, estimando-se a reabertura para 2013-2014. Em setembro, véspera de eleições, a secretária de Estado forjou a coisa, mas agora é mesmo a sério.

Outro prazo anunciado, o do lançamento das obras da segunda fase do Metro do Porto, foi atirado de Outubro passado para Abril próximo. Segundo o ministro,

O governante lembrou que os recursos “são escassos” e que “não estamos na Suíça”, pelo que é “necessário fazer uma correcta gestão” dos investimentos.

Não somos ‘como a Suíça’ no que toca à Alta Velocidade, Aeroporto ‘nacional’ em Lisboa, etc., esbanjando fundos públicos em projetos irreais e errados, mas temos de ser ‘como a Suíça’ na expansão do Metro do Porto. Um país, dois sistemas.

Debate Público: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono

By Nuno Gomes Lopes, 3 de Dezembro de 2009 1:08

Atualizações 30/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Novembro de 2009 23:07

* A coisa parece compor-se em Gaia. Se uma rede de elétricos desligada de qualquer planeamento interconcelhio é coisa do passado, disparatada, uma rede de tróleis própria poderá muito bem ser das melhores coisas que uma Câmara pode fazer às suas custas, sem dar cavaco aos vizinhos. Isto porque, para começar, não se pode exatamente andar a trocar os carris de sítio quando se conclui que uma linha não está no melhor sítio, o que acontece com uma rede de elétricos. Se é verdade que o elétrico implica obras mais ligeiras, também é verdade que implica obras e estas não são baratas. Assim, e sem Autoridade Metropolitana de Transportes a funcionar e sem Junta Metropolitana a fazer o seu papel, os tróleis serão talvez a manilha escondida na manga da mobilidade em Gaia. Eletrificando-se os percursos mais utilizados pelos autocarros consegue-se eliminar a poluição atmosférica local e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, e se se verificar que esse eixo tem a necessidade de metro ou de elétrico, mantém-se a catenária e faz-se obra. Porque Gaia é obra. A ver o que acontece.

* No Porto, elétricos! Aí sim, no núcleo urbano histórico, não merece especial contestação. O facto de a iniciativa ter partido da Porto Vivo é de louvar, mas deverá passar sempre pela Autoridade Metropolitana de Transportes.

(desenhos do que irá surgir)

Arlindo Cunha parece ter confundido todos os dados que estão sobre na mesa. Um elétrico ou anda no passeio (infelizmente) ou fora do passeio. Se no primeiro caso é necessário alargar passeios, no segundo ele convive com os carros, sem lhes roubar lugar. O que não se pode é querer fazer omoletes sem partir ovos, por isso será difícil manter as três faixas de rodagem na Mouzinho da Silveira e duas (!!!) faixas de estacionamento e introduzir o elétrico e aumentar, por pouco que seja, os passeios. Relembra-se rotineiramente que ninguém quer ir morar para o centro sem estacionamento, mas se os passeios se mantiverem estreitos e não houver transportes públicos, então continua mesmo tudo a morar nas periferias.

Esta história dos túneis é que não percebi:

[...]

A solução poderá passar pela criação de ligações viárias subterrâneas, à semelhança do que sucede em Bruxelas. “Mouzinho da Silveira é uma rua de ligação essencial entre a Ribeira e a Batalha. É uma das piores vias em afluência de trânsito nas horas de ponta”, continua. Serve de atravessamento para o tráfego de Gondomar e de Gaia que se dirige à Baixa. Ao final da tarde, o circuito inverte-se, mas mantêm-se as longas filas. A “cidade subterrânea” pode colmatar a dificuldade.

Aproveitando-se a construção do parque de estacionamento no subsolo do Largo de S. Domingos, surge, segundo Arlindo Cunha, a possibilidade de um dos pisos funcionar como túnel para a circulação de viaturas até ao Largo dos Lóios (com ligação ao futuro parque do quarteirão das Cardosas já em execução). Tudo dependerá de estudos geológicos.

[...]

Túneis no centro??? Anda tudo doido. Já chegam os furos do metro.

* Ainda alguém acredita que a obra será feita? Eu não. Como a Linha Aveiro-Salamanca, a Linha Porto-Vigo não é para fazer, mas antes para planear. Até à eternidade.

* A Linha de Gondomar (Estádio do Dragão-Venda Nova), essa, avança. Com mais ou menos encanamentos de rios e mais ou menos túneis, a rede cresce. Interessante é comprovar que

[...]

Nesta ligação, serão utilizadas todas as composições existentes, bem como os 30 tram-trains (mais rápidos e com mais lugares sentados) que a Metro do Porto adquiriu, mas que ainda não estão ao serviço. “Com a compra dos trem-trains a frota é mais do que suficiente para reforçar a rede existente e operar esta nova linha”, disse fonte da Metro.

[...]

(não é trem-train mas sim tram-train : )

* Por falar no elétrico-comboio, ainda não há data para a sua introdução na Linha da Póvoa. Grande parte dos veículos já chegaram, os testes começaram há muito, mas vê-los, nicles.

Vinte de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 20 de Novembro de 2009 1:02

Ainda, o presidente da Junta destacou que a educaçom «comprometida» para a Galiza requer um ensino em galego, castelhano e inglês. Em declarações textuais recolhidas pola agência espanhola Europa Press, Feijóo defende que sejam estras três línguas, e nom outras, porque «quinhentos milhões de pessoas falam  inglês, 400 castelhano e 200 milhões pertencem ao mundo lusófono», o qual implica umha necessária vinculaçom do galego com a Lusofonia.

No PGL.

Dezanove de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 19 de Novembro de 2009 12:05

[...] desarreigo do seu entorno vivencial e social em Alcorcom, único [...] que tivérom as menores [...] por muito que tenham passado Verões na Galiza (nom apenas com a família materna em Vigo, mas com a paterna em Cedeira), desarreigo que se estende ao seu âmbito escolar, pois as menores estivérom escolarizadas desde há muitos anos no Colegio Amanecer, de Alcorcom, para agora verem-se escolarizadas em centros públicos, em Vigo, com imersom num sistema escolar em língua galega, umha língua distinta à que fôrom escolarizadas até agora, que para lá do âmbito de aquela comunidade autónoma, nom se aprecia que tenha qualquer outra utilidade prática.

No PGL.

Atualizações 16/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Setembro de 2009 23:35

* Não só em España se esquecem de certas línguas:

Comunidade húngara da Eslováquia manifesta-se contra a nova Lei de Línguas

A legislaçom que restringe o uso de línguas minoritárias entrou em vigor na terça-feira

Milhares de pessoas mostram sua rejeiçom à Lei de Línguas, que determina que o eslovaco é a única língua permitida em espaços públicos estatais, como hospitais, escolas e escritórios administrativos.

A polémica da Lei de Línguas Estatal da Eslováquia entrou finalmente em vigor apesar dos protestos da comunidade húngara e a deterioraçom das relaçons entre Bratislava e Budapeste. Milhares de húngaros na Eslováquia reunírom-se ontem no estádio de futebol de Dunaszerdahely, umha cidade de maioria húngara, no sul, enquanto alguns deputados se pronunciárom diante da embaixada eslovaca em Bruxelas.

A lei regulamenta o uso e a presença da língua eslovaca em espaços públicos e instituiçons, e os aspectos mais controversos som as obrigaçons de utilizar apenas o eslovaco nos nomes de hospitais, escolas e escritórios do Estado sob ameaça de 5.000 euros de multa aos gestores que nom obedeçam à lei.

(…)

No Portal Galego da Língua.

* A minha Lista de Prémios, Concursos e Bolsas Literários está maior e mais completa.

* Ora aí está mais uma bizarria política, presenteada pelo PP galego:

A Junta elimina o projecto para empregar rótulos comerciais em galego

O galego é um idioma sobreprotegido na Galiza a olhos do PP, por isso, a Junta deita abaixo o projecto de lei sobre comércio do governo do bipartido, anulando assim a obriga de utilizar a língua galega nos painéis dos estabelecimentos comerciais do país.

A iniciativa do governo anterior, que nom chegou a aprovar-se, apostava pola galeguizaçom dos negócios, passando a ser obrigatória a rotulaçom -no mínimo- em galego, sendo possível também a co-rotulaçom noutras línguas.

A Conselharia para a Economia e a Indústria ultima um novo rascunho de lei no que os comerciantes poderám continuar a rotular em castelhano, como vem sendo já tradicional nos últimos 70 anos, mercê a umha castelhanizaçom obrigatória que começou com o apoio das armas.

A decisom do PP foi acolhida e aplaudida com grande alegria polo presidente da Confederaçom galega de Comércio, José Seixas, quem se mostrara crítico com o anterior governo perante a suposta «discriminaçom» lingüística que acompanharia o projecto de lei.

(negrito meu)

Também no PGL.

Atualizações 14/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 15 de Setembro de 2009 0:01

* Leio por aí que “Casos de tuberculose caíram um terço no distrito do Porto entre 2004 e 2008″. Notícia incrível, incrível.

* Hora de desfazer um equívoco (meu): a ligação Porto-Braga (da primeira fase da ligação Lisboa-Corunha, utilizando a via atual) não vai implicar a mudança da bitola (de ibérica para ibérica+mundial). Afinal serão os comboios, multi-bitola (obrigado ao amigo Texas pelo quase-neologismo), a fazerem a transição da futura linha Lisboa-Porto (mundial) para a atual Porto-Braga (ibérica) e para a futura Braga-Corunha (mundial). O comboio desacelera antes da Ponte de São João e depois da Estação de Braga, os eixos alteram-se, no fim sente-se uma pancada e o comboio segue. Os comboios, obviamente, têm de ser comprados pensando nesta especificidade. Tanto os que fizerem Lisboa-Porto como os que seguirem para Norte.

Atualizações 31/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 1 de Agosto de 2009 5:20

* Gosto quando concordam comigo:

Elisa Ferreira quer dar prioridade à linha circular do metro

(…)

Sem ter todos os dados ainda nas mãos, Elisa Ferreira é, tendencialmente, favorável à passagem enterrada do metro no Parque da Cidade, no âmbito da nova linha ocidental prevista para a cidade. Contudo, a candidata do PS defende que “este atravessamento deve ser pensado com cuidado”, sendo necessário conhecer todas as condicionantes antes de tomar uma decisão. “Não nos devemos precipitar. É preciso conhecer os custos e impacte ambiental, mas preocupa-me muito, porque daqui a pouco não temos parque nenhum”, defendeu Elisa Ferreira. Ainda assim, a eurodeputada diz que as características do solo do parque deverão permitir uma solução de cut and cover, o que tornaria o enterramento “mais leve e menos oneroso”. E frisou: “Não estou, à partida, a imaginar a linha do Campo Alegre a passar enterrada numa avenida que nem está construída [Nun'Álvares] e, a seguir, passar à superfície no Parque da Cidade. Parece-me uma situação bastante absurda, mas isto não é uma questão de gosto.”

(…)

(negrito meu)

via Público e Público

* Sempre me pareceram as CCDRs o elemento de planeamento territorial e cabecinha-no-sítio que faltava às outras gestões do território. Carlos Lage, então, é uma pessoa incrível. Mas bastava que as CCDRs fossem a votos para que entrasse populismo e saísse competência. Até lá, é aproveitar as boas ideias (que são muitas):

Legislação ainda é um entrave ao modelo de região concebido pela CCDR do Norte

Alteração da Lei dos Solos e do modelo de financiamento das autarquias é essencial para o cumprimento de algumas metas, como o da contenção da expansão do solo urbano

(…)

Tendo em conta esse objectivo, é defendida uma reformulação do Plano Rodoviário Nacional que aposte menos nas auto-estradas e mais na requalificação de estradas “regionais”. Afirma-se o carácter essencial do investimento na ferrovia convencional, a par da ligação por alta velocidade à Galiza, e definem-se orientações gerais para o uso e ocupação do solo, tendo em conta também as actividades económicas com maior potencial em cada zona.

Este aspecto parece ser, claramente, o nó górdio do plano, no qual se defende a contenção da expansão do solo urbano e, no espaço rural, o confinamento de áreas de edificação dispersa tão características da região.

(…)

(negrito meu)

Carlos Lage
“Falta-nos o poder de uma região”

As dificuldades que o enquadramento legal do país colocam à aplicação das orientações do Plano Regional de Ordenamento do Território levaram o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte a discorrer sobre um dos seus temas dilectos – e do PS, segundo o programa eleitoral do partido. Carlos Lage admite que, havendo um poder político regional instituído, seria muito mais fácil articular as autarquias e, mesmo naquilo que hoje depende do poder central, como os grandes investimentos rodo e ferroviários, ganhar autonomia de decisão. A este propósito, Lage avisou para os riscos de uma eventual adiamento da obra de ligação ferroviária em alta velocidade à Galiza. O líder da CCDRN lembrou que os galegos já têm as verbas para o projecto e que, se não construírem nos próximos anos a ligação de Vigo a Porriño por não existir linha do lado português, dificilmente o farão mais tarde, quando houver vontade do lado de cá.

No Público.

* Belíssima reportagem da Sic sobre a via estreita, um pouco ingénua ao falar de Espanha e castigadora no que se refere a Portugal, mas ainda assim a ver:

Via Avenida Central.

* Transcrição do debate parlamentar da petição apresentada pelo MCLT – como já tinha percebido, Luís Vaz é nome de poeta:

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Luís Vaz.
O Sr. Luís Vaz (PS): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A Linha do Tua teve a sua construção no final do século XIX e foi-se mantendo como linha estreita ao longo do tempo, servindo as populações daquela região, do distrito de Bragança, numa paisagem magnífica, com um traçado ímpar de beleza.
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Entretanto, o mundo evoluiu, não paralisou. As estruturas rodoviárias foram avançando e a modernização da Linha passaria, eventualmente, pelo seu alargamento e pela destruição da sua beleza, que reside, precisamente, no tipo de Linha que ali existe.
A via-férrea deixou de ter utilização, deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário.
O Sr. Francisco Madeira Lopes (Os Verdes): — Falso!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Assim, a Linha do Tua foi encerrada em devido tempo, e não interessa imputar culpas a um governo de esquerda ou de direita — neste caso, de direita.
Posteriormente, por acção da Câmara Municipal de Mirandela, foi transformado um pequeno troço em metro de superfície, mais tarde alargado até ao Tua, sem as necessárias adaptações ou as necessárias intervenções na própria linha férrea, o que acabou por provocar alguns acidentes mortais — sendo os mortos, sobretudo, funcionários da CP, que são os seus principais utentes.
Aquela linha férrea não tem interesse para o transporte das populações, mas poderá ter interesse turístico. Mas o que é certo é que, em termos de fluxos turísticos, até hoje não se conhece um único operador turístico que se tenha interessado pela sua exploração.
Vozes do PS: — Verdade!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Por outro lado, Sr.as e Srs. Deputados, o Governo — e bem — optou por uma política energética para o desenvolvimento do País com carbono baixo, investiu na energia das ondas, com experimentação e estudo (que irá dar os seus frutos, certamente), investiu fortemente na energia eólica, tendo o País coberto de aerogeradores, e investiu também na energia hídrica, todas elas energias limpas. Ninguém hoje quer sobreviver ou pretende viver sem essas energias!
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Presidente: — Queira fazer o favor de concluir, Sr. Deputado.
O Sr. Luís Vaz (PS): — Concluo já, Sr. Presidente. O programa de barragens é importante não só pela produção de energia, mas também pela reserva hídrica que vai permitir e que trará efeitos benéficos não só no amainar das alterações climatéricas e no combate aos fogos flores como também nos investimentos locais adjacentes que irão surgir para potenciar o turismo e o desenvolvimento regional.
Aplausos do PS.+

Via linhadotua.net

Atualizações 16/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Julho de 2009 11:44

* Só para provar que a Assembleia Metropolitana serve para alguma coisa:

(…)

Assim, a Assembleia Metropolitana do Porto, reunida em 10 de Julho de 2009,
considera prioritária a ligação ferroviária Porto-Vigo em Velocidade Elevada, e
reclama do governo e das competentes entidades públicas:
-a construção duma linha nova,
-em bitola europeia (1.435 mm),
-e com uma estação ferroviária no Aeroporto de Pedras Rubras

(…)

Via Baixa do Porto. Objetivo, necessário e sem nenhum erro. Notável.

* O Governo vai aprovar um decreto-lei para que os professores de Atividades Extra-Curriculares sejam contratados sem recurso a recibos verdes. Parte das Câmaras oferecia já contrato aos professores das AECs, e sem decreto-lei do Governo. O que teria sentido era que a Direção Geral do Trabalho investigasse todas as Câmaras que, durante todo este período, furaram a lei contratando profissionais para uma atividade que nunca foi de recibos verdes.

Ministério promete resolver situação de professores de actividades de enriquecimento curricular

(…)

O Governo vai aprovar, esta quinta-feira em Conselho de Ministros, o decreto-lei que resolve a situação dos 15 mil professores das actividades de enriquecimento curricular.

O contrato destes técnicos era muito precário, como reconhece o Ministério da Educação, porque os professores eram contratados pelas autarquias em regime de recibos verdes.

Mas, a partir de agora, avançou à TSF o secretário de Estado, Valter Lemos, serão criadas as condições necessárias e legais para que as autarquias celebrem contratos de trabalho com estes docentes.

(…)

O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, comentou esta posição do Governo, afirmando que o Ministério apenas está a fazer cumprir a lei.

«O Governo vir dizer que vai repôr o que está na lei, quer dizer que se assim não for teríamos um Governo fora da lei. Em primeiro lugar, a existência de um contrato para esta situação é obrigatório, portanto, o Governo não via impôr nada que seja novo», declarou.

(…)

Na TSF.

* O TAF relata o nascimento da Rede Norte:

(…)

Foi neste espírito de aproveitar a riqueza dispersa pela sociedade civil que nasceu recentemente a Rede Norte: uma plataforma destinada a agregar competências complementares da Associação de Cidadãos do Porto, da Associação Comboios XXI (de Braga), da Campo Aberto (dedicada ao ambiente e ordenamento do território), e de mais organizações que a estas se queiram reunir. Junta-se assim massa crítica para gerar propostas concretas baseadas em estudos sólidos, que serão oferecidas ao poder político para implantação. Em termos simples: é “preparar a papinha” para quem tem o poder executivo.

(…)

tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

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