Category: Galiza

Catorze de agosto de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 14 de Agosto de 2010 17:10

Para adaptar a nossa literatura aos leitores portugueses temos que admitir a sua ortografia, quer dizer, a hoje válida em Portugal, somente com aquelas modificações (bem pequenas por certo!) que exigem as diferenças da língua. Este caminho já foi seguido polos flamigantes na Bélgica, que houvérom de tomar a ortografia holandesa, o que lhes aumentou de maneira considerável os leitores. Fagamo-lo, pois!

Joám Vicente Biqueira (via)

Galiza não é Galicia

By Nuno Gomes Lopes, 1 de Agosto de 2010 15:29

Como leitor assíduo do Público desde há alguns anos, assisti relutantemente à queda da qualidade ortográfica do jornal. Isto verifica-se em títulos, subtítulos e legendas, mas sobretudo no corpo das notícias. A utilização correta da toponímia é uma das bases da credibilidade jornalística, e se quando os jornalistas do Público referem localidades portuguesas os enganos são raros (apesar do recorrente erro de grafar a Póvoa como sendo do Varzim), quando a notícia versa localidades no exterior do país é necessário, para além de acerto, critério. Paris não tem alteração de grafia na maior parte das línguas europeias; já New York é normalmente apresentada como Nova Iorque, com algum consenso. Isto acontece em cidades (ou países) que apresentam a sua grafia original em alfabeto latino; quando estas se grafam noutros alfabetos (cirílico, canji), o critério é mais nebuloso. Rossíya poderá ser traduzida para Rússia, mas será Japão o país Nihon Koku? Japão é a forma utilizada desde há séculos na língua portuguesa, mas é fácil comprovar a total dissemelhança em relação ao nome original do país.

Na totalidade da imprensa escrita em Portugal, nota-se a vontade dos jornalistas em restringir o uso de caracteres “estrangeiros” nos textos (começa a ser vulgar Quioto e Osaca, ao invés de Kyoto e Osaka). De volta à Península, o “Livro de Estilo do Público” explica que Valhadolid é mais apropriado que Valladolid – sendo o português e o castelhano as duas línguas romances mais próximas, e sendo a fonia do ll idêntica à do lh, preferiram a grafia portuguesa. Neste caso trata-se de um topónimo castelhano, sem lugar a grandes equívocos.

Quando se fala da Galiza, o equívoco é recorrente. Ao contrário de Comunidades Autónomas do Estado espanhol como a Catalunha ou Euscadi, na Galiza apenas a forma galega é válida, e nunca surgem casos de dupla sinalização como Lleida/Lérida ou Donostia/San Sebastián. Os critérios que guiaram a galeguização da toponímia, iniciada em 1983, seguiram os ditames da Real Academia Galega. São uma aproximação ao nome original dos lugares, seguindo a grafia castelhana, o que constituiu uma grande evolução em relação ao que sucedia anteriormente, em que se reconhecia o nome castelhanizado como oficial (La Coruña, La Guardia, Tuy).

As diferenças linguísticas entre os dois lados da raia são consideradas insuficientes pela grande maioria dos especialistas para decretar que se falam aqui duas línguas diferentes. Entendem esses linguistas que “galego”, “português” e “brasileiro” não são mais que diferentes nomes para uma mesma família linguística. Independentemente de se reconhecer ou não a unidade linguística, tem de se reconhecer que as afinidades linguísticas existem e se estendem ao nome dos lugares. Quando muita desta toponímia nasceu, não existia qualquer diferença linguística reconhecida entre os dois lados da fronteira (em certas alturas, nem existia sequer fronteira), não subsistindo razões objectivas para achar que Vilarinho se deva grafar Vilariño apenas porque se situa fora do território nacional.

Nos jornais portugueses, Público incluído, sucedem tropelias linguísticas difíceis de explicar. Quando se referem à cidade do norte da Galiza, esta pode ser grafada: com a forma portuguesa do topónimo, Corunha; com o meio-termo, A Corunha; com a forma galeguizada, A Coruña; e, por vezes, com a ilegal forma castelhana, La Coruña. Verifica-se, no entanto, que a população do Norte de Portugal mantém uma relação próxima com essa cidade, e a forma portuguesa (Corunha) é, felizmente, a mais utilizada. Tornando-se claro com este exemplo que o nh tem validade na referência à toponímia galega, é difícil perceber como ainda surge Salvaterra de Miño em vez de Salvaterra de(o) Minho ou O Porriño em lugar de Porrinho (os artigos, assim como em Portugal, não deveriam fazer parte da toponímia. essa ideia – errada – deu origem a abortos linguísticos como Oporto). E assumindo Valhadolid como a forma correcta, não se entende como se pode grafar como O Carballiño o concelho de Carbalhinho (ou mesmo Carvalhinho). Ou que Tui surja ocasionalmente como Tuy, forma castelhanizada do topónimo, desaparecida entretanto.

Há que entender, por último, que o galego se encontra ainda em fase de normalização, e que existem topónimos à procura da forma mais “galega” (como Belen, que recentemente se tornou Belem, ou Mera de Abaixo e Mera de Arriba, transformadas em Mera de Baixo e Mera de Riba). O que não tem sentido é que nós, deste lado da fronteira, lhes compliquemos ainda mais a tarefa.

(escrito a pensar numa publicação no jornal Público, que não chegou a acontecer)

Vinte e nove de julho de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 29 de Julho de 2010 17:12

Ola antes de nada e grazas por utilizalo servizo de mensaxería web.

Con respecto a súa solicitude, informarlle que dende o departamento web estaríamos encantados de activar o idioma galego, pero agora mesmo por razóns económicas e humanas non poderá habilitarse dita opción.

Para unha páxina dinamica, na que cambian contidos practicamente a diario habilitar dous idiomas non é tan sinxelo como pode parecer. Un saúdo.

No PGL.

Seis de junho de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 6 de Junho de 2010 23:53

Imaginemos que um alemám visita o Estado espanhol: começa por dous lugares tam afastados entre si, geográfica e culturalmente, como Vic (Catalunha) e Cádiz. A seguir visita a Galiza, e decide dar um saltinho a Portugal, concretamente a Viana do Castelo, passando por Tui. Será que notou mais diferenças culturais entre Vic e Cádiz do que entre Viana do Castelo e Tui?

Nom. Em Vic, como em Cádiz e Tui, terá comido tortilha, terá bebido cortados, terá ido de marcha, terá comprado recuerdos, terá falado espanhol e terá ouvido as pessoas tratarem-se por tu gritando muito.

Eduardo Maragoto, no Diário Liberdade.

Atualizações regionalizadas 6/6/10

By Nuno Gomes Lopes, 6 de Junho de 2010 23:42

* Em fevereiro Maria João Seixas, recém-empossada diretora da Cinemateca Portuguesa, visitava o Porto e a Casa das Artes, com vista à criação da Casa do Cinema do Porto, um nome do agrado da então embevecida diretora. Quatro meses depois a prioridade esmoreceu. Nem Casa do Cinema nem Cinemateca. É fácil perceber como Lisboa se torna tão insuportavelmente longe do Porto quando passa a altura das promessas.

* As pressões para a criação das Regiões Administrativas em Portugal (promessa constitucional nunca cumprida) surgem como cogumelos. Um dos pontos de pressão é o Conselho Regional do Norte, “composto pelos 86 presidentes de Câmara da Região do Norte e perto de duas dezenas de organizações sociais, económicas, ambientais e científicas da região”. Pedem desenvolvimento, que para eles é sinónimo de regionalização. Para mim também.

Outro dos pontos de pressão é o futuro Partido do Norte, ainda ‘Movimento Pró-Partido do Norte‘ pela impossibilidade legal de criar partidos regionais. Estive na reunião fundadora e, admito, estou bastante entusiasmado.

Por Lisboa vão surgindo luzes sobre a concretização da regionalização. Imagino que serão cada vez menos à medida que se aproxime o fim da legislatura, a data limite imposta por José Sócrates. Assusta-me um pouco isto:

os municípios deverão desempenhar um papel semelhante ao de hoje, nas áreas do planeamento e ordenamento do respectivo território

* Tomou posse a primeira diretora do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (Região do Norte e Galiza), Elvira Vieira. A instituição a que agora preside permitirá gerir fundos europeus, promovendo projetos comuns entre as regiões irmãs.

Vinte e cinco de abril de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 25 de Abril de 2010 23:18

Falou-se também da situação sócio-linguística de Cerzeda, um pequeno município na comarca de Ordes de 5.570 habitantes galegofalantes na grandíssima maioria (a percentagem de galegofalantes é 99,47%, segundo dados de 2001 publicados em 2004 que tiramos da Wikipédia). Emi, uma das alunas, comentou a surpresa que lhe produz como em Cerzeda, falando todo o mundo galego, a gente insiste pola rua em falar castelhano à sua meninha.

Crónica do curso expresso de reintegracionismo em Cerzeda, no PGL.

Quinze de abril de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 15 de Abril de 2010 1:46

-Por causa do protesto da população de Valença.

-É, em Valença, de que depois do encerramento do serviço de atendimento permanente do centro de saúde de Valença o alcaide de Tui, na Galiza, mostrou-se bastante mais compreensivo para as necessidades da população de Valença e os habitantes de Valença recebem agora os cuidados de saúde da Galiza, e como forma de agradecimento e de protesto ao mesmo tempo hastearam bandeiras em janelas, nas varandas e etc. Há aqui duas ou três coisas que me perturbam um bocadinho. A primeira delas é como se hasteia (hasteia?) uma bandeira de um estado regional que supostamente rejeita o centralismo castelhano. Ou seja, há muitos galegos que não queriam hastear a bandeira espanhola e preferiam hastear a bandeira galega, que suponho que exista – existe, com certeza.

Pedro Mexia, no Governo Sombra.

nota: apesar de o texto não fazer todo o sentido (esta é uma transcrição feita por mim do que dizia o Pedro Mexia no programa), o que ele queria dizer era qualquer coisa como “A primeira delas é como[, em homenagem a um estado regional,] se hasteia (hasteia?) uma bandeira [do estado central] de um estado regional [, sabendo] que [este estado regional] supostamente rejeita o centralismo castelhano.”

Trinta e um de março de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 31 de Março de 2010 14:17

Noutro documento recebido na caixa dos co-es do PGL, o BNG explica que está a haver umha reiterada recorrência por parte dos espaços informativos da Televisom da Galiza e da Rádio Galega a pôr em andamento «um curioso método de traduçom quando som entrevistados portugueses ou portuguesas: Oculta-se a originalidade da voz em português, substituindo-a por outra voz nesse ‘galego neutro’ instituído pola TVG, cumha tonicidade e prosódia bem próximas do espanhol». Porém quando, por exemplo, um jogador brasileiro ou português se expressa em espanhol, a originalidade na tonalidade é respeitada. Nesta linha, o BNG destaca: «Semelha que é exclusivamente a fala e o sotaque português o que cumpre tapar e ocultar»

Declaração do BNG, no PGL.

A ignorância é uma bênção 1

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Março de 2010 19:16

Tem um ar franzino, cabelos e barba alourados e olhos claros. Herdou o sobrenome de um avô da “Galicia” (como diz, sem reparar que pronuncia o nome da região em galego), o que lhe confere um certo ar internacional, mas é português, ninguém faça confusão. “O meu avô era espanhol da Galicia, conheceu a minha avó e casaram. Mas a partir dessa geração somos todos cá do Porto.”

(reportagem na Pública sobre Ricardo Andrez, estilista portuense)

Adoro quando alguém se orgulha do seu apelido ‘espanhol’ oriundo da Galiza. Enquanto que por lá há González a migrarem os seus nomes para Gonçalves (ou para um intermédio Gonçales), há portugueses que mostram com brio o seu apelido galego-português castelhanizado.

Continuando pelo artigo, ‘Galicia’ não é “o nome da região em galego” mas sim o nome em castelhano. No ‘galego oficial’, regido pela Real Academia Galega, ‘Galiza’ não existe, assim como não existe ‘passeio’ nem ‘aldeia’. Quando uma palavra claramente galego-portuguesa não existe na norma oficial, ela é substituída por um neologismo ou por um castelhanismo. Como é o caso de ‘Galicia’.

Aqui outro jornalista cometia o mesmo erro, quando dizia que “com os quais recolhem os meixões (angulas, em galego)”. Angula significa meixão em castelhano; em galego oficial, a palavra a utilizar deverá ser ‘meixón’, como mostra a wikipedia galega.

A Europa das línguas

By Nuno Gomes Lopes, 8 de Fevereiro de 2010 18:33

Image-Languages-Europe

Belíssimo mapa (simplificado) da realidade linguística deste lado dos Urales. Os pontilhados representam zonas de substituição linguística, em que a língua oficial está a sobrepôr-se à língua histórica do território.

A azul estão as línguas romances, nos vermelhos-laranjas as eslavas, a verde as germânicas e a castanho as fino-húngricas. O galego, como é óbvio, tem a mesma cor do português, mas encontra-se em perda no território do Estado Espanhol.

Atualizações ferroviárias 11/1/10

By Nuno Gomes Lopes, 12 de Janeiro de 2010 1:59

* Em Braga vai evitar-se prolongar a ‘Velocidade Elevada’ até ao centro para poupar dinheiro, fazendo-se por isso a estação na Aveleda. Ora, para a construir na Aveleda, vai ser necessário construir um túnel de 2,2 quilómetros. É um paradoxo delirante, ainda por explicar: se a linha continuasse para o centro e parasse na atual estação, necessitaria apenas de um túnel de saída para norte de Maximinos, já que a ligação a sul já existe; como acham que isso é muito caro, afastam a estação do centro, o que implica um túnel de 2,2 quilómetros. Sem sentido?

E a ideia de construir uma estação em Valença/Tui e não construir em Ponte de Lima?

Neste percurso ficarão duas estações: uma a Poente da cidade de Braga e outra a Nascente de Valença com ligação à futura plataforma logística.

Porém, apesar de ainda não estar definido o modelo de exploração da linha que entrará em operação em 2015, o resumo não técnico do estudo de impacto ambiental para este troço destaca o facto da existência das duas estações não obrigar à paragem de todos os comboios nesses locais. “De acordo com os estudos realizados, para além dos serviços [directos] Porto-Vigo, estão também previstos serviços com paragens intermédias, que poderão servir de forma alternada essas estações ou abranger a totalidade”, refere-se no documento.

Para terminar em beleza, e confirmando a inutilidade e falta de sentido do projeto, foi anunciado um atraso de dois anos (início de atividade apenas em 2015) e que servirá apenas passageiros. A única hipótese de as mercadorias portuguesas terem acesso direto à rede de bitola europeia ficou adiada, pelo menos, 20 anos. Fracasso total.

* Continuando o passeio pela depauperada ferrovia portuguesa, o troço da entre Foz-Tua e o Pocinho da Linha do Douro está fechado desde o Natal passado, motivado pela derrocada de rochas sobre o leito da via. Apesar de

O Governo anunciou no passado mês de Setembro um projecto global de investimentos para a mobilidade no Douro de cerca de 400 milhões de euros, destinado à revitalização de toda a linha férrea do Douro, arranjos das margens e construção do futuro terminal de cruzeiros de Leixões.

(Público)

, o prazo para a reabertura poderá estar a seis meses de distância. Seis meses é muita coisa numa linha ferroviária. É uma quase-morte. Será possível demorar seis meses a remover rochas caídas na via?

Entretanto, o Público elencou todas as linhas / troços encerrados para obras, que significam no seu conjunto 10% da rede ferroviária nacional.

E o JN noticia as queixas no eixo Pampilhosa / Figueira.

Uma das linhas encerradas é a do Tua. Já não resta às populações muito mais do que o recurso aos tribunais e às ações de rua, já que a decisão de não reconstruir a linha nos primeiros 16 quilómetros a seguir à Foz já foi tomada há muito. Uma decisão ilegal, algo já demonstrado antes. A destruição da via já começou, como se pode ver aqui, aqui e aqui.

* O comboio vai chegar ao Porto de Aveiro já este mês. Ainda sem eletrificação.

* O concurso para finalizar a reconversão da antiga Linha de Guimarães (troço ISMAI / Trofa) já foi lançado, estimando-se a reabertura para 2013-2014. Em setembro, véspera de eleições, a secretária de Estado forjou a coisa, mas agora é mesmo a sério.

Outro prazo anunciado, o do lançamento das obras da segunda fase do Metro do Porto, foi atirado de Outubro passado para Abril próximo. Segundo o ministro,

O governante lembrou que os recursos “são escassos” e que “não estamos na Suíça”, pelo que é “necessário fazer uma correcta gestão” dos investimentos.

Não somos ‘como a Suíça’ no que toca à Alta Velocidade, Aeroporto ‘nacional’ em Lisboa, etc., esbanjando fundos públicos em projetos irreais e errados, mas temos de ser ‘como a Suíça’ na expansão do Metro do Porto. Um país, dois sistemas.

Debate Público: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono

By Nuno Gomes Lopes, 3 de Dezembro de 2009 1:08

Atualizações 30/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Novembro de 2009 23:07

* A coisa parece compor-se em Gaia. Se uma rede de elétricos desligada de qualquer planeamento interconcelhio é coisa do passado, disparatada, uma rede de tróleis própria poderá muito bem ser das melhores coisas que uma Câmara pode fazer às suas custas, sem dar cavaco aos vizinhos. Isto porque, para começar, não se pode exatamente andar a trocar os carris de sítio quando se conclui que uma linha não está no melhor sítio, o que acontece com uma rede de elétricos. Se é verdade que o elétrico implica obras mais ligeiras, também é verdade que implica obras e estas não são baratas. Assim, e sem Autoridade Metropolitana de Transportes a funcionar e sem Junta Metropolitana a fazer o seu papel, os tróleis serão talvez a manilha escondida na manga da mobilidade em Gaia. Eletrificando-se os percursos mais utilizados pelos autocarros consegue-se eliminar a poluição atmosférica local e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, e se se verificar que esse eixo tem a necessidade de metro ou de elétrico, mantém-se a catenária e faz-se obra. Porque Gaia é obra. A ver o que acontece.

* No Porto, elétricos! Aí sim, no núcleo urbano histórico, não merece especial contestação. O facto de a iniciativa ter partido da Porto Vivo é de louvar, mas deverá passar sempre pela Autoridade Metropolitana de Transportes.

(desenhos do que irá surgir)

Arlindo Cunha parece ter confundido todos os dados que estão sobre na mesa. Um elétrico ou anda no passeio (infelizmente) ou fora do passeio. Se no primeiro caso é necessário alargar passeios, no segundo ele convive com os carros, sem lhes roubar lugar. O que não se pode é querer fazer omoletes sem partir ovos, por isso será difícil manter as três faixas de rodagem na Mouzinho da Silveira e duas (!!!) faixas de estacionamento e introduzir o elétrico e aumentar, por pouco que seja, os passeios. Relembra-se rotineiramente que ninguém quer ir morar para o centro sem estacionamento, mas se os passeios se mantiverem estreitos e não houver transportes públicos, então continua mesmo tudo a morar nas periferias.

Esta história dos túneis é que não percebi:

[...]

A solução poderá passar pela criação de ligações viárias subterrâneas, à semelhança do que sucede em Bruxelas. “Mouzinho da Silveira é uma rua de ligação essencial entre a Ribeira e a Batalha. É uma das piores vias em afluência de trânsito nas horas de ponta”, continua. Serve de atravessamento para o tráfego de Gondomar e de Gaia que se dirige à Baixa. Ao final da tarde, o circuito inverte-se, mas mantêm-se as longas filas. A “cidade subterrânea” pode colmatar a dificuldade.

Aproveitando-se a construção do parque de estacionamento no subsolo do Largo de S. Domingos, surge, segundo Arlindo Cunha, a possibilidade de um dos pisos funcionar como túnel para a circulação de viaturas até ao Largo dos Lóios (com ligação ao futuro parque do quarteirão das Cardosas já em execução). Tudo dependerá de estudos geológicos.

[...]

Túneis no centro??? Anda tudo doido. Já chegam os furos do metro.

* Ainda alguém acredita que a obra será feita? Eu não. Como a Linha Aveiro-Salamanca, a Linha Porto-Vigo não é para fazer, mas antes para planear. Até à eternidade.

* A Linha de Gondomar (Estádio do Dragão-Venda Nova), essa, avança. Com mais ou menos encanamentos de rios e mais ou menos túneis, a rede cresce. Interessante é comprovar que

[...]

Nesta ligação, serão utilizadas todas as composições existentes, bem como os 30 tram-trains (mais rápidos e com mais lugares sentados) que a Metro do Porto adquiriu, mas que ainda não estão ao serviço. “Com a compra dos trem-trains a frota é mais do que suficiente para reforçar a rede existente e operar esta nova linha”, disse fonte da Metro.

[...]

(não é trem-train mas sim tram-train : )

* Por falar no elétrico-comboio, ainda não há data para a sua introdução na Linha da Póvoa. Grande parte dos veículos já chegaram, os testes começaram há muito, mas vê-los, nicles.

Vinte de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 20 de Novembro de 2009 1:02

Ainda, o presidente da Junta destacou que a educaçom «comprometida» para a Galiza requer um ensino em galego, castelhano e inglês. Em declarações textuais recolhidas pola agência espanhola Europa Press, Feijóo defende que sejam estras três línguas, e nom outras, porque «quinhentos milhões de pessoas falam  inglês, 400 castelhano e 200 milhões pertencem ao mundo lusófono», o qual implica umha necessária vinculaçom do galego com a Lusofonia.

No PGL.

Dezanove de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 19 de Novembro de 2009 12:05

[...] desarreigo do seu entorno vivencial e social em Alcorcom, único [...] que tivérom as menores [...] por muito que tenham passado Verões na Galiza (nom apenas com a família materna em Vigo, mas com a paterna em Cedeira), desarreigo que se estende ao seu âmbito escolar, pois as menores estivérom escolarizadas desde há muitos anos no Colegio Amanecer, de Alcorcom, para agora verem-se escolarizadas em centros públicos, em Vigo, com imersom num sistema escolar em língua galega, umha língua distinta à que fôrom escolarizadas até agora, que para lá do âmbito de aquela comunidade autónoma, nom se aprecia que tenha qualquer outra utilidade prática.

No PGL.

Atualizações 16/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Setembro de 2009 23:35

* Não só em España se esquecem de certas línguas:

Comunidade húngara da Eslováquia manifesta-se contra a nova Lei de Línguas

A legislaçom que restringe o uso de línguas minoritárias entrou em vigor na terça-feira

Milhares de pessoas mostram sua rejeiçom à Lei de Línguas, que determina que o eslovaco é a única língua permitida em espaços públicos estatais, como hospitais, escolas e escritórios administrativos.

A polémica da Lei de Línguas Estatal da Eslováquia entrou finalmente em vigor apesar dos protestos da comunidade húngara e a deterioraçom das relaçons entre Bratislava e Budapeste. Milhares de húngaros na Eslováquia reunírom-se ontem no estádio de futebol de Dunaszerdahely, umha cidade de maioria húngara, no sul, enquanto alguns deputados se pronunciárom diante da embaixada eslovaca em Bruxelas.

A lei regulamenta o uso e a presença da língua eslovaca em espaços públicos e instituiçons, e os aspectos mais controversos som as obrigaçons de utilizar apenas o eslovaco nos nomes de hospitais, escolas e escritórios do Estado sob ameaça de 5.000 euros de multa aos gestores que nom obedeçam à lei.

(…)

No Portal Galego da Língua.

* A minha Lista de Prémios, Concursos e Bolsas Literários está maior e mais completa.

* Ora aí está mais uma bizarria política, presenteada pelo PP galego:

A Junta elimina o projecto para empregar rótulos comerciais em galego

O galego é um idioma sobreprotegido na Galiza a olhos do PP, por isso, a Junta deita abaixo o projecto de lei sobre comércio do governo do bipartido, anulando assim a obriga de utilizar a língua galega nos painéis dos estabelecimentos comerciais do país.

A iniciativa do governo anterior, que nom chegou a aprovar-se, apostava pola galeguizaçom dos negócios, passando a ser obrigatória a rotulaçom -no mínimo- em galego, sendo possível também a co-rotulaçom noutras línguas.

A Conselharia para a Economia e a Indústria ultima um novo rascunho de lei no que os comerciantes poderám continuar a rotular em castelhano, como vem sendo já tradicional nos últimos 70 anos, mercê a umha castelhanizaçom obrigatória que começou com o apoio das armas.

A decisom do PP foi acolhida e aplaudida com grande alegria polo presidente da Confederaçom galega de Comércio, José Seixas, quem se mostrara crítico com o anterior governo perante a suposta «discriminaçom» lingüística que acompanharia o projecto de lei.

(negrito meu)

Também no PGL.

Atualizações 14/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 15 de Setembro de 2009 0:01

* Leio por aí que “Casos de tuberculose caíram um terço no distrito do Porto entre 2004 e 2008″. Notícia incrível, incrível.

* Hora de desfazer um equívoco (meu): a ligação Porto-Braga (da primeira fase da ligação Lisboa-Corunha, utilizando a via atual) não vai implicar a mudança da bitola (de ibérica para ibérica+mundial). Afinal serão os comboios, multi-bitola (obrigado ao amigo Texas pelo quase-neologismo), a fazerem a transição da futura linha Lisboa-Porto (mundial) para a atual Porto-Braga (ibérica) e para a futura Braga-Corunha (mundial). O comboio desacelera antes da Ponte de São João e depois da Estação de Braga, os eixos alteram-se, no fim sente-se uma pancada e o comboio segue. Os comboios, obviamente, têm de ser comprados pensando nesta especificidade. Tanto os que fizerem Lisboa-Porto como os que seguirem para Norte.

Atualizações 31/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 1 de Agosto de 2009 5:20

* Gosto quando concordam comigo:

Elisa Ferreira quer dar prioridade à linha circular do metro

(…)

Sem ter todos os dados ainda nas mãos, Elisa Ferreira é, tendencialmente, favorável à passagem enterrada do metro no Parque da Cidade, no âmbito da nova linha ocidental prevista para a cidade. Contudo, a candidata do PS defende que “este atravessamento deve ser pensado com cuidado”, sendo necessário conhecer todas as condicionantes antes de tomar uma decisão. “Não nos devemos precipitar. É preciso conhecer os custos e impacte ambiental, mas preocupa-me muito, porque daqui a pouco não temos parque nenhum”, defendeu Elisa Ferreira. Ainda assim, a eurodeputada diz que as características do solo do parque deverão permitir uma solução de cut and cover, o que tornaria o enterramento “mais leve e menos oneroso”. E frisou: “Não estou, à partida, a imaginar a linha do Campo Alegre a passar enterrada numa avenida que nem está construída [Nun'Álvares] e, a seguir, passar à superfície no Parque da Cidade. Parece-me uma situação bastante absurda, mas isto não é uma questão de gosto.”

(…)

(negrito meu)

via Público e Público

* Sempre me pareceram as CCDRs o elemento de planeamento territorial e cabecinha-no-sítio que faltava às outras gestões do território. Carlos Lage, então, é uma pessoa incrível. Mas bastava que as CCDRs fossem a votos para que entrasse populismo e saísse competência. Até lá, é aproveitar as boas ideias (que são muitas):

Legislação ainda é um entrave ao modelo de região concebido pela CCDR do Norte

Alteração da Lei dos Solos e do modelo de financiamento das autarquias é essencial para o cumprimento de algumas metas, como o da contenção da expansão do solo urbano

(…)

Tendo em conta esse objectivo, é defendida uma reformulação do Plano Rodoviário Nacional que aposte menos nas auto-estradas e mais na requalificação de estradas “regionais”. Afirma-se o carácter essencial do investimento na ferrovia convencional, a par da ligação por alta velocidade à Galiza, e definem-se orientações gerais para o uso e ocupação do solo, tendo em conta também as actividades económicas com maior potencial em cada zona.

Este aspecto parece ser, claramente, o nó górdio do plano, no qual se defende a contenção da expansão do solo urbano e, no espaço rural, o confinamento de áreas de edificação dispersa tão características da região.

(…)

(negrito meu)

Carlos Lage
“Falta-nos o poder de uma região”

As dificuldades que o enquadramento legal do país colocam à aplicação das orientações do Plano Regional de Ordenamento do Território levaram o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte a discorrer sobre um dos seus temas dilectos – e do PS, segundo o programa eleitoral do partido. Carlos Lage admite que, havendo um poder político regional instituído, seria muito mais fácil articular as autarquias e, mesmo naquilo que hoje depende do poder central, como os grandes investimentos rodo e ferroviários, ganhar autonomia de decisão. A este propósito, Lage avisou para os riscos de uma eventual adiamento da obra de ligação ferroviária em alta velocidade à Galiza. O líder da CCDRN lembrou que os galegos já têm as verbas para o projecto e que, se não construírem nos próximos anos a ligação de Vigo a Porriño por não existir linha do lado português, dificilmente o farão mais tarde, quando houver vontade do lado de cá.

No Público.

* Belíssima reportagem da Sic sobre a via estreita, um pouco ingénua ao falar de Espanha e castigadora no que se refere a Portugal, mas ainda assim a ver:

Via Avenida Central.

* Transcrição do debate parlamentar da petição apresentada pelo MCLT – como já tinha percebido, Luís Vaz é nome de poeta:

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Luís Vaz.
O Sr. Luís Vaz (PS): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A Linha do Tua teve a sua construção no final do século XIX e foi-se mantendo como linha estreita ao longo do tempo, servindo as populações daquela região, do distrito de Bragança, numa paisagem magnífica, com um traçado ímpar de beleza.
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Entretanto, o mundo evoluiu, não paralisou. As estruturas rodoviárias foram avançando e a modernização da Linha passaria, eventualmente, pelo seu alargamento e pela destruição da sua beleza, que reside, precisamente, no tipo de Linha que ali existe.
A via-férrea deixou de ter utilização, deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário.
O Sr. Francisco Madeira Lopes (Os Verdes): — Falso!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Assim, a Linha do Tua foi encerrada em devido tempo, e não interessa imputar culpas a um governo de esquerda ou de direita — neste caso, de direita.
Posteriormente, por acção da Câmara Municipal de Mirandela, foi transformado um pequeno troço em metro de superfície, mais tarde alargado até ao Tua, sem as necessárias adaptações ou as necessárias intervenções na própria linha férrea, o que acabou por provocar alguns acidentes mortais — sendo os mortos, sobretudo, funcionários da CP, que são os seus principais utentes.
Aquela linha férrea não tem interesse para o transporte das populações, mas poderá ter interesse turístico. Mas o que é certo é que, em termos de fluxos turísticos, até hoje não se conhece um único operador turístico que se tenha interessado pela sua exploração.
Vozes do PS: — Verdade!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Por outro lado, Sr.as e Srs. Deputados, o Governo — e bem — optou por uma política energética para o desenvolvimento do País com carbono baixo, investiu na energia das ondas, com experimentação e estudo (que irá dar os seus frutos, certamente), investiu fortemente na energia eólica, tendo o País coberto de aerogeradores, e investiu também na energia hídrica, todas elas energias limpas. Ninguém hoje quer sobreviver ou pretende viver sem essas energias!
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Presidente: — Queira fazer o favor de concluir, Sr. Deputado.
O Sr. Luís Vaz (PS): — Concluo já, Sr. Presidente. O programa de barragens é importante não só pela produção de energia, mas também pela reserva hídrica que vai permitir e que trará efeitos benéficos não só no amainar das alterações climatéricas e no combate aos fogos flores como também nos investimentos locais adjacentes que irão surgir para potenciar o turismo e o desenvolvimento regional.
Aplausos do PS.+

Via linhadotua.net

Atualizações 16/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Julho de 2009 11:44

* Só para provar que a Assembleia Metropolitana serve para alguma coisa:

(…)

Assim, a Assembleia Metropolitana do Porto, reunida em 10 de Julho de 2009,
considera prioritária a ligação ferroviária Porto-Vigo em Velocidade Elevada, e
reclama do governo e das competentes entidades públicas:
-a construção duma linha nova,
-em bitola europeia (1.435 mm),
-e com uma estação ferroviária no Aeroporto de Pedras Rubras

(…)

Via Baixa do Porto. Objetivo, necessário e sem nenhum erro. Notável.

* O Governo vai aprovar um decreto-lei para que os professores de Atividades Extra-Curriculares sejam contratados sem recurso a recibos verdes. Parte das Câmaras oferecia já contrato aos professores das AECs, e sem decreto-lei do Governo. O que teria sentido era que a Direção Geral do Trabalho investigasse todas as Câmaras que, durante todo este período, furaram a lei contratando profissionais para uma atividade que nunca foi de recibos verdes.

Ministério promete resolver situação de professores de actividades de enriquecimento curricular

(…)

O Governo vai aprovar, esta quinta-feira em Conselho de Ministros, o decreto-lei que resolve a situação dos 15 mil professores das actividades de enriquecimento curricular.

O contrato destes técnicos era muito precário, como reconhece o Ministério da Educação, porque os professores eram contratados pelas autarquias em regime de recibos verdes.

Mas, a partir de agora, avançou à TSF o secretário de Estado, Valter Lemos, serão criadas as condições necessárias e legais para que as autarquias celebrem contratos de trabalho com estes docentes.

(…)

O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, comentou esta posição do Governo, afirmando que o Ministério apenas está a fazer cumprir a lei.

«O Governo vir dizer que vai repôr o que está na lei, quer dizer que se assim não for teríamos um Governo fora da lei. Em primeiro lugar, a existência de um contrato para esta situação é obrigatório, portanto, o Governo não via impôr nada que seja novo», declarou.

(…)

Na TSF.

* O TAF relata o nascimento da Rede Norte:

(…)

Foi neste espírito de aproveitar a riqueza dispersa pela sociedade civil que nasceu recentemente a Rede Norte: uma plataforma destinada a agregar competências complementares da Associação de Cidadãos do Porto, da Associação Comboios XXI (de Braga), da Campo Aberto (dedicada ao ambiente e ordenamento do território), e de mais organizações que a estas se queiram reunir. Junta-se assim massa crítica para gerar propostas concretas baseadas em estudos sólidos, que serão oferecidas ao poder político para implantação. Em termos simples: é “preparar a papinha” para quem tem o poder executivo.

(…)

tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

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