Category: Língua

A ignorância é uma bênção 1

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Março de 2010 19:16

Tem um ar franzino, cabelos e barba alourados e olhos claros. Herdou o sobrenome de um avô da “Galicia” (como diz, sem reparar que pronuncia o nome da região em galego), o que lhe confere um certo ar internacional, mas é português, ninguém faça confusão. “O meu avô era espanhol da Galicia, conheceu a minha avó e casaram. Mas a partir dessa geração somos todos cá do Porto.”

(reportagem na Pública sobre Ricardo Andrez, estilista portuense)

Adoro quando alguém se orgulha do seu apelido ‘espanhol’ oriundo da Galiza. Enquanto que por lá há González a migrarem os seus nomes para Gonçalves (ou para um intermédio Gonçales), há portugueses que mostram com brio o seu apelido galego-português castelhanizado.

Continuando pelo artigo, ‘Galicia’ não é “o nome da região em galego” mas sim o nome em castelhano. No ‘galego oficial’, regido pela Real Academia Galega, ‘Galiza’ não existe, assim como não existe ‘passeio’ nem ‘aldeia’. Quando uma palavra claramente galego-portuguesa não existe na norma oficial, ela é substituída por um neologismo ou por um castelhanismo. Como é o caso de ‘Galicia’.

Aqui outro jornalista cometia o mesmo erro, quando dizia que “com os quais recolhem os meixões (angulas, em galego)”. Angula significa meixão em castelhano; em galego oficial, a palavra a utilizar deverá ser ‘meixón’, como mostra a wikipedia galega.

A Europa das línguas

By Nuno Gomes Lopes, 8 de Fevereiro de 2010 18:33

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Belíssimo mapa (simplificado) da realidade linguística deste lado dos Urales. Os pontilhados representam zonas de substituição linguística, em que a língua oficial está a sobrepôr-se à língua histórica do território.

A azul estão as línguas romances, nos vermelhos-laranjas as eslavas, a verde as germânicas e a castanho as fino-húngricas. O galego, como é óbvio, tem a mesma cor do português, mas encontra-se em perda no território do Estado Espanhol.

Trinta de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Dezembro de 2009 23:53

“O acordo remete muitas vezes para uma tradição, mas em lugar nenhum define qual é essa tradição. Por isso optámos por regularizar bastante a ortografia”. Em muitos casos isto significou tirar os hífens (de “cor-de-rosa”, por exemplo, que o acordo admitia com hífens referindo a “tradição”, ao mesmo tempo que deixava sem hífen “cor de vinho”). Quando a referência é a pronúncia optou-se por seguir a da região de Lisboa.

No Público.

Vinte e cinco de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 25 de Dezembro de 2009 17:19

Miguel Esteves Cardoso não estará esquecido — decerto que é somente por imperativos humorísticos que o omite — de que escreve, e escrevemos, segundo as regras de um acordo ortográfico, tão obrigatório como não deseja que este agora seja mas é (ou irá ser, se entrar em vigor). Como já nascemos em plena vigência do Acordo Ortográfico de 1945, tendemos a esquecê-lo. Se o acordo entrar em vigor em 2012, em 2022 já ninguém apelará à desobediência civil. Mesmo a brincar.

Helder Guégués, no Assim Mesmo.

Debate Público: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono

By Nuno Gomes Lopes, 3 de Dezembro de 2009 1:08

Atualizações 21/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 21 de Novembro de 2009 2:30

* O córnico (não confundir com cómico, um outro tipo de linguagem), língua céltica (como o gaélico), vai passar a fazer parte do espaço público da Cornualha, juntamente com o inglês. Ainda não na sinalização viária (como na imagem, na Escócia), mas apenas em afixações públicas. O governo regional também começará a usá-lo, sendo a tradução da sua página a primeira medida a tomar. No PGL.

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* Já deu processos judiciais no passado, acusando o Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Varzim (e, por inerência, o Presidente da Câmara) de utilizar dinheiros públicos para promoção pessoal. Não obstante, a Junta de Freguesia continua a organizar o São Martinho do idoso, almoço em que se come castanhas e se atura comício dos Presidentes da Junta e da Câmara.

Não é o desperdício de fundos públicos que me chateia – longe disso. O desperdício do dinheiro que é de todos é a constante na gestão autárquica por todo o país. O que me chateia é a soberba de quem se acha acima da lei, organizando estes eventos que servem apenas para comprar votos e enganar gente com pouca cultura democrática. Chateia mesmo.

Vinte de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 20 de Novembro de 2009 1:02

Ainda, o presidente da Junta destacou que a educaçom «comprometida» para a Galiza requer um ensino em galego, castelhano e inglês. Em declarações textuais recolhidas pola agência espanhola Europa Press, Feijóo defende que sejam estras três línguas, e nom outras, porque «quinhentos milhões de pessoas falam  inglês, 400 castelhano e 200 milhões pertencem ao mundo lusófono», o qual implica umha necessária vinculaçom do galego com a Lusofonia.

No PGL.

Dezanove de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 19 de Novembro de 2009 12:05

[...] desarreigo do seu entorno vivencial e social em Alcorcom, único [...] que tivérom as menores [...] por muito que tenham passado Verões na Galiza (nom apenas com a família materna em Vigo, mas com a paterna em Cedeira), desarreigo que se estende ao seu âmbito escolar, pois as menores estivérom escolarizadas desde há muitos anos no Colegio Amanecer, de Alcorcom, para agora verem-se escolarizadas em centros públicos, em Vigo, com imersom num sistema escolar em língua galega, umha língua distinta à que fôrom escolarizadas até agora, que para lá do âmbito de aquela comunidade autónoma, nom se aprecia que tenha qualquer outra utilidade prática.

No PGL.

Atualizações 13/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 14 de Novembro de 2009 1:52

* Fotos novas no flickr. Avulsas e sem relação entre si, como deve ser.

* O Algarve quer ligar-se à Andaluzia por comboio, o que faz todo o sentido. Não explicam é quem pagará a linha – nos 45 qms entre Vila Real de Santo António e Huelva esta não existe.

* A Metro do Porto prepara-se para, a partir de segunda, construir o nó rodoviário mais maluco da península e arredores. Em Vila Nova de Gaia, na atual rotunda de Santo Ovidio. Como numa sandes de vários andares, terá carros/metro/carros. Loucura total.

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Um nadinha de carros a mais, talvez?

* Continuando por Gaia, Luís Filipe Menezes sugere uma ‘rede de elétricos rápidos’ no concelho. Se Gaia fosse uma cidade isolada e não uma parte de uma cidade maior (Porto, ou Grande Porto) isto teria algum cabimento. Assim, é apenas mais uma boutade, infelizmente normal em LFM. O Grande Porto tem de abandonar este jogo de capelinhas. Talvez abandonando as birras e deixando a Autoridade Metropolitana de Transportes iniciar os seus trabalhos?

* Descobri aqui uma pequena resenha dos gastos em transportes públicos desde 2005. Leio e percebo que a CP, de tanto mirrar, ainda morre de subnutrição.

* O Acordo Ortográfico avança seguro. A 21 de Outubro foi lançado o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora. Inclui 800 palavras galegas (não utilizadas em Portugal e no Brasil), e será complementado por vocabulários equivalentes a lançar brevemente pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras.

* Alguns avanços na discussão da erradicação da natureza por parte dos seres humanos na face ocidental da Península Ibérica do desenvolvimento equilibrado do país. Primeiro o Shapes of Portugal, que mostra de forma gráfica a distribuição da população pelo território do país e as suas divisões administrativas, das quais destaco as ‘Discrepâncias (Lisboa e Porto)‘. A seguir estes ‘Cartogramas de População‘, bichos feios que importa dissecar.

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Atualizações 10/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 10 de Novembro de 2009 1:18

* O novo Secretário de Estado dos Transportes acerta em todas de uma só tacada (tirando, obviamente, a insistência na Alta Velocidade). O que conseguirá fazer em quatro anos?

* Mais um país a dar o necessário passo em frente linguístico – a Moldávia. Por alturas da independência, viram-se forçados, senão a forjar uma identidade nacional no seu todo, pelo menos a fazê-lo no lado linguístico. Para o efeito criaram uma língua nacional, o moldavo, radicalmente separada do romeno pela violência de uma fronteira. Os anos e as pessoas esclarecidas vieram a provar o ridículo desta opção, que chegou ao cúmulo de se ter inventado um dicionário romeno-moldavo, rapidamente esquecido por todos (bizarria semelhante aconteceu deste lado do mundo, por incrível que pareça). Agora todos parecem ter percebido o grau do erro e o moldavo vai deixar de existir. Paz à sua alma. Apenas romeno a partir de agora.

Mais no PGL.

* Não se cura uma coisa parva fazendo uma coisa ainda mais parva. Eu defenderia a demolição do Coutinho se esta fosse grátis e sem custos ambientais. Foi um erro construí-lo e está exatamente no meio do centro histórico de Viana do Castelo. Agora o estádio de Aveiro, estrutura moderníssima e recente? Deus meu, quanta falta de juízo.

*

Câmara de Braga incentiva utilização do comboio

Esta só não a ponho no Título do Ano para não sujar essa categoria com politicazinha local. Eu gostava que a Câmara Municipal de Braga se preocupasse com os comboios, mas tudo me leva a crer do contrário. É a capital dos atropelamentos, lembram-se?

* E por hoje chega. Continuo por aqui e aqui. Boa noite.

O papão castelhano

By Nuno Gomes Lopes, 3 de Novembro de 2009 11:59

Ilustrador este mapa da evolução linguística das línguas romances ocidentais. E incrível como uma língua que, quando nasceu, como todas as outras, não tinha nome (o português / galego antigo), e que se normalizou como “português”, tem agora dois nomes (galego e português), e duas normas. Nós já (re-)normalizamos a nossa situação com o Brasil. Demoraremos ainda muito a fazê-lo com a Galiza?

Atualizações 1/10/09

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Outubro de 2009 1:16

* Gosto destas pequenas notícias, desta vontade indizível de muita gente que começa a desabrochar por aí. Em Arenys de Munt, na Catalunha, 96% dos votantes num referendo local declararam-se a favor da independência do Principado. Sem efeito legal, sem grande expressão (69% de abstenção), mas com uma ideia clara: “que a Catalunha seja um Estado soberano, social e democrático integrado na União Europeia”. Não tenho dúvidas que uma Catalunha independente, do Carxe a Perpinyà, seria infinitamente mais democrática que o atual Estado espanhol.

Claro que chegaram os fascistas e tentaram armar confusão. O que se há de fazer.

O Expresso, transcrevendo certamente uma notícia da Lusa, chama a Arenys ‘uma aldeia’. Curiosa esta aldeia de 8000 habitantes, que por acaso é um município metropolitano. Curiosa.

* Quando me vejo preso nas filas de entrada no Porto, em frente ao Norteshopping, penso sempre, á, se eles pusessem mais faixas, se eu fosse um passarinho, se a minha avó tivesse rodas era um camião tir, etc. Agora é óbvio que a absurdidade destes pensamentos não me acompanha durante muito tempo. Se a minha avó tivesse rodas não seria um camião tir – quando muito seria uma bicicleta. Não sou um passarinho, por muito que me custe aceitar isso. E não é por existirem mais faixas que se reduz o trânsito. Quando se aumenta o número de faixas aumenta-se o trânsito de veículos a circular. O que é muito simples de compreender: aumentando o número de faixas, o número de auto-estradas, o números de lugares em parques de estacionamento, aumenta-se a expectativa. A partir de agora, quando alguém pensar em ir para o Porto de carro usando a A28 não hesita tanto. E vai mesmo de carro. Daqui a uns meses entope outra vez. E mesmo que não entupa, o mal está feito – o número de carros a entrar no Porto diariamente vai aumentar.

Claro que os senhores políticos, que de raciocínios não são grandes fãs, pensam ao contrário. E a senhora jornalista, que transcreve o que os políticos lhe dizem, não pensa.

Nova saída da A28 vai reduzir trânsito em 20%

Via permitirá chegar ao Norteshopping sem ir à Rotunda dos Produtos Estrela

Os futuros acessos do IC1/A28 ao concelho de Matosinhos, a construir no âmbito do alargamento da via, vão reduzir o trânsito para a Rotunda AEP em cerca de 20%. A obra começa no início do próximo ano.

(…)

No JN.

Atualizações 16/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Setembro de 2009 23:35

* Não só em España se esquecem de certas línguas:

Comunidade húngara da Eslováquia manifesta-se contra a nova Lei de Línguas

A legislaçom que restringe o uso de línguas minoritárias entrou em vigor na terça-feira

Milhares de pessoas mostram sua rejeiçom à Lei de Línguas, que determina que o eslovaco é a única língua permitida em espaços públicos estatais, como hospitais, escolas e escritórios administrativos.

A polémica da Lei de Línguas Estatal da Eslováquia entrou finalmente em vigor apesar dos protestos da comunidade húngara e a deterioraçom das relaçons entre Bratislava e Budapeste. Milhares de húngaros na Eslováquia reunírom-se ontem no estádio de futebol de Dunaszerdahely, umha cidade de maioria húngara, no sul, enquanto alguns deputados se pronunciárom diante da embaixada eslovaca em Bruxelas.

A lei regulamenta o uso e a presença da língua eslovaca em espaços públicos e instituiçons, e os aspectos mais controversos som as obrigaçons de utilizar apenas o eslovaco nos nomes de hospitais, escolas e escritórios do Estado sob ameaça de 5.000 euros de multa aos gestores que nom obedeçam à lei.

(…)

No Portal Galego da Língua.

* A minha Lista de Prémios, Concursos e Bolsas Literários está maior e mais completa.

* Ora aí está mais uma bizarria política, presenteada pelo PP galego:

A Junta elimina o projecto para empregar rótulos comerciais em galego

O galego é um idioma sobreprotegido na Galiza a olhos do PP, por isso, a Junta deita abaixo o projecto de lei sobre comércio do governo do bipartido, anulando assim a obriga de utilizar a língua galega nos painéis dos estabelecimentos comerciais do país.

A iniciativa do governo anterior, que nom chegou a aprovar-se, apostava pola galeguizaçom dos negócios, passando a ser obrigatória a rotulaçom -no mínimo- em galego, sendo possível também a co-rotulaçom noutras línguas.

A Conselharia para a Economia e a Indústria ultima um novo rascunho de lei no que os comerciantes poderám continuar a rotular em castelhano, como vem sendo já tradicional nos últimos 70 anos, mercê a umha castelhanizaçom obrigatória que começou com o apoio das armas.

A decisom do PP foi acolhida e aplaudida com grande alegria polo presidente da Confederaçom galega de Comércio, José Seixas, quem se mostrara crítico com o anterior governo perante a suposta «discriminaçom» lingüística que acompanharia o projecto de lei.

(negrito meu)

Também no PGL.

Atualizações 15/8/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Agosto de 2009 2:40

*Depois da ‘longa noite’ que foi a liderança de John Howard, a Austrália parece acordar para a multiculturalidade:

Garrett’s $9m life raft for Indigenous languages

Federal Arts Minister Peter Garrett has announced a plan to rescue over 100 threatened Indigenous languages across Australia.

The Government will invest $9 million over the next year towards the project, which includes funding for interpretive and translation services.

A 2005 study titled The National Indigenous Languages Survey found 110 Indigenous languages still spoken in Australia were at risk of disappearing.

Mr Garrett says the funding and national focus will improve coordination between all parties working to reduce the loss of languages.

(…)

Aqui, via PGL.

* Se aquilo que está prometido/previsto nos PROT fosse levado a sério pelo Governo, talvez restasse alguma esperança:

PROT de Lisboa assume ferrovia como estruturante

Criar ligações ferroviárias entre o novo aeroporto, no concelho do Montijo, e o Oeste, mas também entre aquela infra-estrutura e as linhas de Sintra e Cascais são algumas das propostas do Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) da Área Metropolitana de Lisboa, cujo processo de alteração deverá estar concluído até Janeiro de 2010.

Uma das principais apostas do plano em termos de mobilidade será, segundo uma nota distribuída on-
tem, “assumir a rede ferroviária como espinha dorsal da estruturação do território metropolitano”. Para tal propõe-se o lançamento do estudo de viabilidade da constituição de “uma circular ferroviária exterior” formada por três eixos: uma ligação Torres Vedras-Loures-Setúbal; uma ligação entre as linhas de Cascais e Sintra; um ramal dessa ligação, a partir de Loures, à Linha do Norte.

(negrito meu)

Ferrovia!

Em relação ao Oeste, a ideia, como explicou o geógrafo Jorge Gaspar, é que passe a existir, por exemplo de hora a hora, um comboio directo entre Torres Vedras ou as Caldas da Rainha e o novo aeroporto. Para tal, explica o coordenador de duas das equipas sectoriais que estão a trabalhar na alteração do PROT, seria necessário renovar a linha ferroviária existente e criar algumas ligações em falta, num projecto que poderia ser faseado, chegando numa primeira fase por exemplo apenas ao metro de Odivelas.

Metástases da desordem

O investimento preconizado nas acessibilidades ferroviárias, sublinha o geógrafo, constituiria também um instrumento para “ajudar a criar ordem no espaço da margem norte” da Área Metropolitana de Lisboa (AML), onde têm ocorrido “processos de ocupação urbana de forma bastante disfuncional”. “O eixo de Sintra pode ser feio mas há um ordenamento”, afirmou Jorge Gaspar, fazendo o contraponto com áreas não dotadas de ferrovia, como Loures, onde há “metástases em todas as direcções”.

Num balanço dos trabalhos de alteração do PROT, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Fonseca Ferreira, adiantou que o documento propõe ainda “uma ligação em circular” nos concelhos de Oeiras, Amadora, Odivelas e Loures, “provavelmente em metro de superfície”, para a qual deverão ser reservados corredores. Jorge Gaspar chamou a este projecto “a CRIL [Circular Regional Interior de Lisboa] do eléctrico rápido ou do metro ligeiro”.

Primeiro têm de assegurar uma rede em ferrovia convencional – a rede de metro tem sempre de ser subsidiária desta.

Ainda no capítulo da mobilidade, um dos mais focados na apresentação de ontem, o geógrafo mencionou também a importância de assegurar a expansão do Metro Sul do Tejo, para que este deixe de ser apenas “uma linha” e se converta em “rede”.

A alteração do PROT foi decidida pelo Governo em Maio de 2008, com o objectivo de reflectir o impacto na região de infra-estruturas a construir nos próximos anos, como a rede de TGV, a terceira travessia do Tejo, as plataformas logísticas de Castanheira do Ribatejo e Poceirão e o novo aeroporto em Alcochete.

(interlúdio musical sobre o caos)

Não há PROT que resista ao “território mais ingovernável que temos no país”

A Área Metropolitana de Lisboa é, na opinião do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, “o território mais ingovernável que temos no país”. Isto porque, explica Fonseca Ferreira, na área em que vivem 2,7 milhões de habitantes intervêm 18 municípios, a própria CCDR e “dezenas” de organismos da administração central, fazendo com que haja um total de “40 ou 50 entidades” envolvidas, “sem uma coordenação eficaz entre elas”.

Com o objectivo de inverter esta realidade, a governabilidade foi eleita como uma das prioridades do Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) que se encontra em alteração, juntamente com a investigação e desenvolvimento, internacionalização, sustentabilidade e coesão social. “Não vale a pena ter boas propostas se a Área Metropolitana de Lisboa não vier a ter melhor governabilidade”, sublinhou Fonseca Ferreira, defendendo que, com a situação actual, “não há PROT que resista”.

Lembrando que os planos directores municipais dos 18 municípios estão já em revisão ou prestes a iniciar esse processo, o presidente da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo destacou a importância de tal ser feito de forma “estreitamente articulada” com a alteração do PROT. Para garantir essa “interacção muito estreita” já houve reuniões com a Junta Metropolitana de Lisboa e com as autarquias, que no início de Junho deverão receber a primeira versão daquele documento, que será depois alvo de um novo debate, que permitirá chegar ao chamado anteprojecto.

Fonseca Ferreira sublinhou ainda a “necessidade de uma maior coordenação entre os portos de Lisboa e de Setúbal”, defendendo que estes devem ter “uma administração única”. “Senão andamos com estratégias de desperdícios”, lamentou o responsável da CCDR.

Bom, esqueci-me de desenhar a nova ligação ferroviária ao Barreiro (através da nova ponte), mas o que está no PROT é isto:

Daqui.

* Mais uma atualização na minha Lista de Prémios, Concursos e Bolsas Literários.

Atualizações 2/8/09

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Agosto de 2009 23:45

* España é, de facto, um lugar estraño:

O islandés poderia ser língua oficial da UE com só 300.000 falantes

A língua catalã supera em número de falantes quase à metade dos idiomas oficiais da UE

A Comissão Europeia iniciou os trámites para incorporar Islândia à União Europeia (UE), após que o Parlamento islandês votasse faz um par de semanas a favor da adesão. Em caso que finalmente Islândia acabe incorporando-se à UE, o idioma islandês passaria a ser automaticamente língua oficial.

Hoje por hoje, o catalão, com nove milhões e médio de falantes, supera em número de falantes quase a metade das 23 línguas oficiais da UE. Assim, supera ao maltês (com só 330.000 falantes), ao estónio (1.1 milhões), ao gaélico-irlandês (1.6 milhões), ao letão e ao esloveno (2.2 milhões), ao lituano (4 milhões), ao sueco, ao dinamarquês, ao eslovaco e ao finlandês (6 milhões) e ao búlgaro (9 milhões); mas mesmo assim continua sem ser língua oficial da UE porque não dispõe de um Estado próprio.

Em 2010 a presidência da UE -que é rotativa- passará a mãos do governo espanhol com José Luis Rodríguez Zapatero à frente. O executivo espanhol poder-se-ia estar a propor pedir de novo o uso da língua catalã, a vascã e a galega no Parlamento Europeu.

Faz alguns meses, o presidente do Euro-cámara, Hans Gert Pöttering, já advertiu que pára que o catalão seja oficial no Parlamento Europeu faz falta que o governo espanhol a faça dantes oficial no Parlamento espanhol. O presidente do Parlamento Europeu, Ernest Benach, adiantou, após reunir-se com Pöttering que ‘no futuro imediato’ fará pública uma proposta por normalizar o uso do catalão nas instituições europeias, mas pelo momento não quis revelar nenhum detalhe

No PGL.

* Como se planeia uma Rede de Alta Velocidade baseada em hipóteses não confirmadas

Atualizações 22/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 22 de Julho de 2009 23:45

*

Linha do Corgo reabre no final de 2010

A linha ferroviária do Corgo, entre Vila Real e a Régua, vai reabrir à circulação até ao final de 2010. Até lá vai ser totalmente remodelada. A empreitada representa um investimento de 23,4 milhões de euros.

(…)

No claustros do Governo Civil, Ana Paula Vitorino presidiu à cerimónia de consignação da primeira fase das obras. Prevê o levantamento da via e reperfilamento da plataforma da linha do Corgo, ao longo de 26 quilómetros, vai custar 4,4 milhões de euros e tem de estar concluída no prazo de 135 dias. O cronómetro começou ontem a contar. A seguir haverá mais duas fases para a colocação dos novos carris e travessas. Também serão beneficiados os sistemas de drenagem, as plataformas, as estações e apeadeiros.

(…)

Os prazos e intervenção previstos para a linha do Corgo são os mesmos definidos para os 12 quilómetros da linha do Tâmega, entre Livração e Amarante. Neste caso, a empreita vai custar 13,3 milhões de euros.

Nas visitas de ontem a Amarante e Vila Real, a Ana Paula Vitorino anunciou que o concurso público para a electrificação da linha do Douro entre Caíde (Lousada) e Marco de Canaveses deverá ser lançado até ao final do próximo mês. O investimento deverá rondar 50 milhões de euros. O próximo passo é concluir o projecto de electrificação da linha do Douro entre Marco de Canaveses e Peso da Régua.

Ana Paula Vitorino revelou também que está em vias de assinar um protocolo com a Refer, CP, Estrutura de Missão do Douro, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e com alguns promotores privados, com vista ao estabelecimento de uma parceria para reabilitar 28 quilómetros desactivados na Linha do Douro, entre Pocinho e Barca de Alva.

No JN (e o mesmo no Público). Mantenho, a linha do Corgo une Vila Real à Régua, no papel e na realidade. Ninguém, neste momento, escolhe o comboio para ir de Vila Real ao Porto.

Na Linha do Douro já não acontece o mesmo. Apesar de para montante do Marco não existirem aglomerados populacionais relevantes, os comboios são utilizados pelas populações. Apenas por duas razões: não há alternativas rodoviárias, e os comboios são diretos e confortáveis.

E bom, finalmente a eletrificação, para já até ao Marco, depois até à Régua. Ainda nada sobre a duplicação até ao Marco, mas não há de faltar muito. Com a linha duplicada até ao Marco e eletrificada até à Régua, dexa de existir razão para os Intercidades não voltarem.

* O Estado francês, o maior genocida linguístico do século 20 europeu, continua a fazer das suas:

Assembleia da Córsega chumba a oficialidade da língua corsa

A moção apresentada por Córsega Nação Independente perdeu, com 28 votos na contra e 19 a favor

O francês continuará a ser a única língua oficial na ilha da Córsega, após a decisão de ontem em que a câmara legislativa votou maioritariamente na contra -28 contra 19, num total de 51 deputados-, da moção que tinha apresentado Corsega Nação Independente (CNI, Corsica Nazione Indipendente) segundo explica Rádio Alta Frequenza.

A língua própria da ilha mediterrânea terá, por enquanto, só um pequeno reconhecimento legal, o mesmo que o Estado francês dá a todas as línguas menorizadas. Os deputados justificaram o voto na contra dizendo que «faz falta não queimar etapas, e começar por uma aprendizagem real do corso».

Madeleine Mozziconacci, do partido Córsega na República, argumentou -na contra da oficialidade- que «o número de falantes não aumenta, o bilingüismo na escola primária não é uma realidade e 12% dos escolares têm um ensino bilingüe”».

Por sua vez, o conselheiro executivo da União por um Movimento Popular (UMP), Antoine Giorgi, assegurou que a moção votada «corria o risco de ser interpretada como uma oposição à língua francesa e de constituir um factor de diferenciação» entre corsófonos e não corsófonos, segundo se pode ler no lugar de Unità Naziunale.

Calcula-se que nos dias de hoje entre 125.000 e 170.000 pessoas falam a língua corsa.

No PGL.

Atualizações 1/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 16 de Julho de 2009 5:36

* Se Espanha fosse dividida em pequenos países, e acaso os novos países, outrora regiões periféricas, adotassem normas linguísticas muito rígidas, era um pouco isto que aconteceria:

Controversial amendment of Slovak language law passed

On Tuesday, 30 June, the Slovak Parliament passed the amendment of the Slovak Language Law. The new version will enter in force in September 2009. Members from the Party of the Hungarian Coalition expressed their conviction that the new law will hinder the enforcement of the linguistic rights of national minorities.

The original version of the law, passed in 1995 for the protection of the Slovak language ordered the exclusive use of the Slovak language in official and public communication. Several amendments have taken place since then.

Provisions concerning sanctioning were eliminated from the law in 1999. The current amendment brings these articles back by imposing fines. All physical persons, legal entities and organisations will be obliged to use the Slovak language in all forms of non-private communication. The non-observance of the law implies a sanction which may vary between 100 and 5,000 Euros.

Both oral and written communication must use Slovak. A version in a second language, which is word by word identical to the Slovak, may follow, but, if printed, only with smaller characters.

Culture Minister Marek Maďarič, who submitted the bill, denied that the amendment was aimed against the Hungarian minority. He said the law would not affect the use of minority languages. In the parliamentary debates, members from the Party of the Hungarian Coalition expressed their conviction that the new law will hinder the enforcement of the linguistic rights of national minorities. Party President Pál Csáky stressed that such a law did not exist even in the era of the Austro-Hungarian Monarchy. “This law would not have allowed Albert Einstein to become a professor at any Slovak university. As we know, Einstein was lecturing in German at the American universities because his English was not good enough”, he said.

It is interesting to note that those using the Czech language will not be sanctioned. Czech is an exception because it fulfils the requirement of basic understanding. Some other exceptions include for example, the communication between medical staff and their patients in health care or the possibility of regional broadcasting in a minority language. A new division will be set up in the Ministry of Culture to control the law’s enforcement.

136 MPs of the 150-member Slovak Parliament were present at the voting and 79 of them supported the amendment. The law also caused tensions in the relationship between Bratislava and Budapest. On Monday, the Speaker of Hungarian Parliament, Katalin Szili, sent a letter to her Slovak colleague asking for the postponement of the final voting – but in vain.

Articles in the Hungarian press and in the Hungarian-language press of Slovakia have stressed today that the law contributes to a climate of growing uncertainty and fear among minorities in Slovakia. (Eurolang 2009)

No Eurolang.

Agora imaginem como se sentem galegos, catalães, bascos, asturianos, etc. Um pouco como os falantes do húngaro na Eslováquia e outros países vizinhos – sem direitos linguísticos.

* Afinal Coruche não vai ter comboios diretos para Lisboa. Seja porque a linha está ’sobrecarregada’, seja porque a CP está dividida em unidades de negócios separados, a conclusão é só uma: as boas ideias nunca passam porque são ‘muito complicadas’.

Reactivação dos comboios de passageiros para Coruche obriga a transbordos no Setil

Congestionamento da Linha do Norte não permite ligações directas entre Coruche e Lisboa. Havia uma alternativa, mas não foi estudada pela CP

Os comboios de passageiros vão regressar à velha estação de Coruche, que fica a dois quilómetros da vila, mas os seus habitantes não terão ligações directas a Lisboa porque a Refer e a CP não conseguem meter mais comboios na linha do Norte devido ao seu congestionamento na zona suburbana da capital.

A solução encontrada passa pela existência de um vaivém entre Coruche e Setil que dará, nesta estação, ligação ao serviço da CP Regional para Lisboa. Desta forma os passageiros vindos de Coruche, Marinhais e Muge passarão a ter serviços diários para o Setil, onde apanharão os regionais de Tomar e do Entroncamento com destino a Oriente e Santa Apolónia.

Esta não era a pretensão do presidente da Câmara de Coruche, Dionísio Mendes (PS), que há anos defende a circulação de comboios directos entre o seu concelho e Lisboa, estando, em conjunto com os seus colegas de Salvaterra e Cartaxo, disponível para assinar um protocolo com a CP em que as autarquias comparticipam nos custos de exploração do serviço.

Trata-se de uma experiência inédita em Portugal, em que as autarquias assumem participar nos prejuízos da CP, em troca de um benefício para a comunidade que é o aumento da mobilidade. Mas neste caso a experiência pode não se revelar um sucesso por o transbordo no Setil vir a ter um efeito dissuasor na procura.

A impossibilidade de realizar serviços directos para Lisboa evidencia mais uma vez a necessidade de modernização da Linha do Norte, cujas obras foram mandadas travar por este Governo, tendo em conta que o TGV iria ligar Lisboa ao Porto.

O troço Lisboa-Azambuja é um dos mais congestionados da Linha do Norte porque, além dos suburbanos, também aí circulam os comboios de longo curso, regionais e de mercadorias. “Meter ali os comboios de Coruche para Lisboa iria mexer com os outros horários e a linha não tem capacidade para mais, sob pena de afectar toda a circulação e provocar atrasos”, disse ao PÚBLICO uma fonte da CP.

Na semana passada a Câmara de Coruche anunciou que até 15 de Setembro iria ser reactivada a circulação de comboios para Lisboa com 10 circulações diárias. Segundo o jornal Mirante (na sua edição online de 23/6/09), o tempo de viagem será de 75 minutos e o preço do bilhete entre Coruche e Lisboa de 2,70 euros, sendo o passe mensal de 119 euros.

A circulação de comboios de passageiros entre Setil e Vendas Novas (70 km) foi interrompida em 2005 devido à fraca procura, tendo a CP substituído a automotora dos anos quarenta que aí tinha por um serviço rodoviário. Como habitualmente, os autocarros acabaram por desaparecer algum tempo depois.

Graças à pressão dos municípios, a empresa volta agora a pôr os comboios nos carris, mas só do Setil a Coruche, numa extensão de 35 km. Na impossibilidade de fazer directos para Lisboa, bastaria realizá-los de Coruche à Azambuja, onde os passageiros poderiam prosseguir viagem para a capital, dispondo de maior oferta. Essa situação, porém, não foi contemplada pela CP, que continua dividida em unidades de negócios estanques: Azambuja é “território” da CP Lisboa e Coruche da CP Regional.

Ligação a Lisboa através da Azambuja facilitaria a vida aos utentes, com mais comboios, mas a CP não a teve em conta

No Público.

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